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Biópsia de próstata transperineal

Como é o exame, o que os estudos mostram e o que esperar depois.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 06/11/2026
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Desenho da agulha entrando pelo períneo até a próstata
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Resposta rápida

Na biópsia transperineal, a agulha entra pela pele do períneo, entre a bolsa escrotal e o ânus, para retirar fragmentos da próstata sem atravessar o reto. Eu faço o exame sempre com sedação. A diretriz europeia recomenda essa via pelo baixo risco de infecção e pelo menor uso de antibióticos.1

Quando é indicada

A biópsia é discutida quando o PSA ou o toque levantam suspeita. A ressonância vem antes e ajuda a decidir.1 Em um estudo randomizado, 28% dos homens que fizeram ressonância primeiro não precisaram de biópsia.6

Com lesão PI-RADS 4 ou 5, a diretriz orienta colher da lesão e do tecido em volta dela. Com ressonância negativa, baixa suspeita clínica e sem história na família, a biópsia pode ser dispensada, com acompanhamento do PSA.1

Como é o exame

  1. PreparoVocê recebe a orientação sobre remédios, principalmente os que afinam o sangue.
  2. SedaçãoVocê recebe sedação, e a pele do períneo é desinfetada.1
  3. ColetaGuiada por ultrassom e pelas imagens da ressonância, a agulha retira pelo menos de 3 a 5 fragmentos da lesão. A coleta sistemática usa cerca de 12 fragmentos.1
  4. LaudoOs fragmentos vão para o patologista. O laudo mostra se há câncer e qual é a sua agressividade.
Duas vistas da pelve de lado. Na via transperineal, a agulha entra pela pele do períneo até a próstata. Na via transretal, ela atravessa a parede do reto.
As duas vias da biópsia. Nas duas, o ultrassom fica no reto e guia a agulha. Só a via transretal atravessa a parede do reto.

O que os estudos mostram

Três estudos randomizados compararam a via transperineal com a transretal:

EstudoInfecçãoCâncer significativo detectado
PREVENT, 2024
658 homens
0 na transperineal, sem antibiótico, e 1,4% na transretal53% na transperineal e 50% na transretal
TRANSLATE, 2025
1.126 homens
Com internação: menos de 1% na transperineal e 2% na transretal60% na transperineal e 54% na transretal
ProBE-PC, 2024
718 homens
2,7% na transperineal e 2,6% na transretalNão foi o foco do estudo

No PREVENT, a diferença de infecção não teve significância estatística. O TRANSLATE foi o único a mostrar mais detecção com a via transperineal.2,3 Uma revisão dos estudos com biópsia guiada por ressonância encontrou resultados semelhantes entre as duas vias, e a via transperineal permite dispensar o antibiótico com segurança.5

A transretal continua sendo uma opção segura, como concluiu o ProBE-PC.4 Avaliamos a via com você, caso a caso.

Riscos e recuperação

  1. Logo depoisPode haver dor leve e pequeno hematoma no períneo.
  2. Primeiros diasSangue na urina é comum.
  3. Semanas seguintesO esperma pode ficar escurecido ou com sangue por um tempo.

Em uma série de biópsias com alvo citada pela diretriz europeia, 53,4% dos homens tiveram sangue na urina e 37,2% no esperma. Febre e retenção urinária apareceram em 3% cada.1

No TRANSLATE, a retenção com necessidade de sonda ocorreu em 6% na via transperineal e em 5% na transretal. Os sintomas urinários e a função sexual ficaram semelhantes após quatro meses.3

Como eu conduzo

Na minha prática, eu peço a ressonância antes de indicar a biópsia. Quando a biópsia é necessária, prefiro a via transperineal, sempre com sedação, e colho da lesão vista na ressonância e do restante da próstata. Antes do exame, reviso os remédios em uso e explico o que é esperado nos dias seguintes.

Quando procurar o urologista

  • Se o PSA ou o exame de toque vierem alterados
  • Se a ressonância trouxer PI-RADS 3, 4 ou 5
  • Se você já teve uma biópsia negativa e a suspeita continua
  • Se recebeu o pedido de biópsia e quer entender as opções

Perguntas frequentes

A biópsia transperineal dói?

Eu faço o exame sempre com sedação. Depois, pode haver dor leve no períneo nos primeiros dias.

Qual é a diferença entre a biópsia transperineal e a transretal?

Na transperineal, a agulha entra pela pele do períneo. Na transretal, ela passa pela parede do reto. Os estudos mostram detecção de câncer próxima ou maior na transperineal, e a diretriz europeia recomenda essa via pelo baixo risco de infecção.1,2,3,5

Preciso de antibiótico?

Para quem não tem fatores de risco, como diabetes ou história de retenção urinária, a diretriz europeia admite dispensar o antibiótico na via transperineal.1

A biópsia atrapalha a ereção?

Em um estudo randomizado, a função sexual quatro meses depois foi semelhante entre as duas vias.3 Esse estudo não comparou com homens sem biópsia.

É normal ter sangue na urina e no esperma?

Sim, é frequente depois da biópsia.1 Febre, dificuldade para urinar ou sangue com coágulos pedem contato no mesmo dia.

Toda pessoa com PSA alto precisa de biópsia?

Não. Com ressonância negativa, densidade do PSA abaixo de 0,20 ng/mL/cc e sem história na família, a diretriz europeia admite dispensar a biópsia e seguir com o PSA.1

Referências

  1. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. European Association of Urology; 2026. EAU
  2. Hu JC, Assel M, Allaf ME, et al. Transperineal Versus Transrectal Magnetic Resonance Imaging-targeted and Systematic Prostate Biopsy to Prevent Infectious Complications: The PREVENT Randomized Trial. Eur Urol. 2024;86(1):61-68. PubMed
  3. Bryant RJ, Marian IR, Williams R, et al. Local anaesthetic transperineal biopsy versus transrectal prostate biopsy in prostate cancer detection (TRANSLATE): a multicentre, randomised, controlled trial. Lancet Oncol. 2025;26(5):583-595. PubMed
  4. Mian BM, Feustel PJ, Aziz A, et al. Complications Following Transrectal and Transperineal Prostate Biopsy: Results of the ProBE-PC Randomized Clinical Trial. J Urol. 2024;211(2):205-213. PubMed
  5. Zattoni F, Rajwa P, Miszczyk M, et al. Transperineal Versus Transrectal Magnetic Resonance Imaging-targeted Prostate Biopsy: A Systematic Review and Meta-analysis of Prospective Studies. Eur Urol Oncol. 2024;7(6):1303-1312. PubMed
  6. Kasivisvanathan V, Rannikko AS, Borghi M, et al. MRI-Targeted or Standard Biopsy for Prostate-Cancer Diagnosis. N Engl J Med. 2018;378(19):1767-1777. PubMed

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