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Câncer de próstata

O que é, quem tem mais risco, como é o diagnóstico e quais são os tratamentos.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 06/11/2026
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Ilustração em 3D da pelve masculina, com a próstata abaixo da bexiga
Ilustração: BodyParts3D, © The Database Center for Life Science, CC BY-SA 2.1 Japan.
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Resposta rápida

Fora os tumores de pele não melanoma, o câncer de próstata é o mais comum entre os homens no Brasil, com 77.920 casos novos estimados por ano de 2026 a 2028.1 No início, costuma não dar sintomas.2 Quando está restrito à próstata, pode ser curado, e parte dos tumores de baixo risco é apenas acompanhada de perto.3

Por onde começar

Escolha o assunto do momento em que você está.

Exames e laudo

Tratamento

O que é

A próstata fica abaixo da bexiga, à frente do reto, em volta da uretra. O câncer começa quando células da glândula passam a crescer sem controle.

O comportamento varia muito de um homem para outro. Alguns tumores nunca causariam sintomas, e outros são agressivos.2 Por isso o Gleason e o grupo ISUP, que vêm no laudo da biópsia, pesam tanto na decisão.

Quem tem mais risco

Pesam a idade, a história na família, a origem africana e a mutação no gene BRCA2. Essas condições definem quando começar a avaliação:2,5

GrupoAvaliação a partir de
Homens em geral50 anos
Homens negros45 anos
Familiar de primeiro grau com a doença45 anos
Mutação no gene BRCA240 anos

Depois dos 75 anos, a SBU orienta a avaliação só para quem tem expectativa de vida maior do que 10 anos.5

Como é feito o diagnóstico

  1. PSA e toqueO PSA é um exame de sangue. Um valor alterado costuma ser repetido antes de seguir adiante.2
  2. RessonânciaVem antes da biópsia e mostra se há uma área suspeita.2
  3. BiópsiaA biópsia retira pequenos fragmentos da próstata para o patologista examinar.
  4. LaudoSe houver câncer, o laudo traz o Gleason e o grupo ISUP, que mostram a agressividade do tumor.

Com o diagnóstico feito, avaliamos se a doença saiu da próstata. O PET-PSMA é o exame mais sensível para isso.3

Três cortes da próstata: tumor restrito à próstata, tumor que ultrapassa a próstata e tumor que chegou a outras partes do corpo.
Até onde o tumor chegou. Essa avaliação orienta o tratamento.

Tem cura?

Quando o tumor está restrito à próstata, pode ser curado.3

O ProtecT, estudo britânico, acompanhou por 15 anos 1.643 homens com tumor localizado. Nesse período, 2,7% morreram da doença, com números próximos entre monitoramento ativo, cirurgia e radioterapia.4 Esse resultado é de um estudo e não prevê o que vai acontecer com cada pessoa.

Quando o câncer já se espalhou, o tratamento busca controlar a doença, com hormonioterapia e outros medicamentos.6

Quais são os tratamentos

A escolha parte do grupo de risco, da sua saúde e do que pesa mais para você.3

SituaçãoO que costuma ser discutido
Baixo riscoVigilância ativa
Risco intermediárioCirurgia ou radioterapia. Vigilância ativa em casos selecionados
Alto risco e doença localmente avançadaCirurgia ou radioterapia, muitas vezes com hormonioterapia
Doença metastáticaHormonioterapia e outros medicamentos

Para comparar as duas opções principais, leia cirurgia ou radioterapia. A prostatectomia radical robótica tem um guia próprio.

Como eu conduzo

Na minha prática, eu começo pelo risco de cada homem: idade, família e exames anteriores. Mostro o resultado com calma e explico as opções que fazem sentido para o caso, inclusive a vigilância ativa quando ela cabe. A decisão é tomada junto com o paciente, e a família participa se ele quiser.

Quando procurar o urologista

  • A partir dos 50 anos, mesmo sem sintomas, ou antes, se você estiver em um grupo de risco maior
  • Se o PSA ou o exame de toque vierem alterados
  • Se você já tem uma biópsia e quer entender o laudo
  • Se recebeu o diagnóstico e quer conversar sobre as opções

Perguntas frequentes

Câncer de próstata tem cura?

Quando está restrito à próstata, pode ser curado.3 Em um estudo britânico com 1.643 homens com tumor localizado, 2,7% morreram da doença em 15 anos.4 Esse número não prevê o que vai acontecer com cada pessoa, porque a chance depende do grupo de risco.

Câncer de próstata dá sintomas?

No início, costuma não dar. Os sintomas em geral aparecem tarde na evolução da doença.2 Por isso a avaliação é indicada mesmo para quem se sente bem.5

Com que idade devo fazer os exames?

A partir dos 50 anos. Homens negros e homens com familiar de primeiro grau com a doença começam aos 45.2,5 Quem tem mutação no gene BRCA2 começa aos 40.2

Todo câncer de próstata precisa ser operado?

Não. No baixo risco, a vigilância ativa é a conduta indicada pela diretriz europeia.3 Nos demais casos, a cirurgia e a radioterapia são discutidas com o paciente, junto com os efeitos de cada uma.

Mulheres transexuais podem ter câncer de próstata?

Sim. Casos foram descritos em mulheres transexuais em uma série do sistema de saúde de veteranos dos Estados Unidos.7 Quem tem próstata pode conversar com o urologista sobre a avaliação.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer. Estimativa 2026-2028: incidência de câncer no Brasil. Síntese de resultados e comentários. Rio de Janeiro: INCA; 2026. INCA
  2. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. European Association of Urology; 2026. EAU
  3. Cornford P, van den Bergh RCN, Briers E, et al. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer, 2024 Update. Part I: Screening, Diagnosis, and Local Treatment with Curative Intent. Eur Urol. 2024;86(2):148-163. PubMed
  4. Hamdy FC, Donovan JL, Lane JA, et al. Fifteen-Year Outcomes after Monitoring, Surgery, or Radiotherapy for Prostate Cancer. N Engl J Med. 2023;388(17):1547-1558. PubMed
  5. Sociedade Brasileira de Urologia. Aconselhamento para o diagnóstico precoce do câncer de próstata. 2020. SBU
  6. Tilki D, van den Bergh RCN, Briers E, et al. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. Part II, 2024 Update: Treatment of Relapsing and Metastatic Prostate Cancer. Eur Urol. 2024;86(2):164-182. PubMed
  7. Nik-Ahd F, De Hoedt A, Butler C, et al. Prostate Cancer in Transgender Women in the Veterans Affairs Health System, 2000-2022. JAMA. 2023;329(21):1877-1879. PubMed

Ilustrações em 3D: BodyParts3D, © The Database Center for Life Science, licensed under CC Attribution-Share Alike 2.1 Japan.

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