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Cálculo renal

Por que a pedra se forma, quando sai sozinha, quando operar e como evitar nova pedra.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 07/11/2026
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Dr. Petronio Melo com um ureteroscópio flexível nas mãos
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Resposta rápida

O cálculo renal é uma pedra formada por substâncias da urina que cristalizam. Ele pode ficar parado no rim sem dar sintomas ou descer pelo ureter e causar cólica. Muitas pedras pequenas saem sozinhas. Quando a pedra não sai, cresce, obstrui ou causa infecção, ela pode ser tratada por ureteroscopia a laser ou por cirurgia percutânea. As ondas de choque são outra opção.

O que é

A pedra nasce quando substâncias da urina cristalizam e se juntam, e muitas são uma mistura de mais de um material.1 A frequência varia de 1% a 13% da população, conforme o lugar, o clima, a alimentação e a genética.1

Animação esquemática do caminho da pedra.

Sintomas

A pedra parada no rim pode não dar sintoma nenhum. Quando desce para o ureter, ela costuma causar dor forte nas costas ou no flanco e vômitos, às vezes com febre.1 A dor vem porque a urina não passa bem e o rim dilata.

A avaliação também deve ser imediata em quem tem um rim só e quando há dúvida sobre a causa da dor.1

Como é feito o diagnóstico

O ultrassom costuma ser o primeiro exame, porque é seguro e não usa radiação. Ele tem limite: acha cerca de 45% das pedras do ureter.1 Depois dele, a tomografia sem contraste confirma o diagnóstico. Ela mostra onde a pedra está, o tamanho, a densidade e a anatomia em volta, e tudo isso ajuda a escolher o tratamento.1

Exames de sangue e de urina completam a avaliação. Quando a pedra é retirada ou sai, vale analisar do que ela é feita.1

Quando a pedra sai sozinha

Pedras pequenas no ureter podem ser acompanhadas quando não há infecção, dor sem controle nem piora da função do rim.1 Cerca de 75% das pedras menores que 5 mm passam sozinhas, e 62% das que têm 5 mm ou mais. O tempo médio é de 17 dias.1 A localização também pesa.

Trato urinário com pedras em três pontos do ureter e a chance de sair sozinha: de 49% a 52% na parte alta, de 58% a 70% na parte média e de 68% a 83% na parte baixa.
Quanto mais perto da bexiga, maior a chance de a pedra sair sozinha.

Para a dor, o anti-inflamatório é a primeira escolha, se não houver contraindicação.1 Nas pedras na parte baixa do ureter com mais de 5 mm, um alfabloqueador pode ajudar a pedra a sair. É um uso fora da bula, combinado com o paciente.1

Quando tratar e quais são as opções

No ureter, a retirada é indicada quando a chance de sair sozinha é baixa, a dor persiste apesar do remédio, a obstrução continua ou a função do rim está em risco.1

No rim, o tratamento entra quando a pedra cresce, obstrui, causa infecção ou dor. Também pesam a preferência do paciente, outras doenças e a rotina, como uma profissão que exige viagens.1 Pedras pequenas e sem sintomas podem ser acompanhadas. Em uma revisão, de 7% a 26% delas acabaram em cirurgia.1

Três rins com pedra: ureteroscópio que entra pela uretra e sobe até a pedra, acesso percutâneo que chega ao rim pelas costas e ondas de choque que vêm de fora do corpo.
Os três caminhos até a pedra do rim.
OpçãoComo funcionaOnde costuma entrar
Ureteroscopia a laserUm aparelho fino entra pela uretra e chega à pedra, sem cortePedras do ureter e do rim; acima de 2 cm, quando a percutânea não é opção1
PercutâneaUm acesso pequeno nas costas chega ao rim, e a pedra é quebrada e retiradaPrimeira opção para pedras do rim acima de 2 cm1
Ondas de choqueFragmentam a pedra de fora do corpo, e os pedaços saem na urinaPedras de até 2 cm; rende menos no polo inferior do rim e pode exigir mais de uma sessão1

No ureter, a ureteroscopia tem mais chance de resolver em um só procedimento, com mais complicações do que as ondas de choque.1 Entre 1 e 2 cm no rim, a percutânea com instrumentos menores retira mais pedra, com mais risco de sangramento e internação mais longa.1 A escolha depende do tamanho, do lugar, da densidade da pedra e da anatomia de cada pessoa.

Vídeo real: o laser fragmenta um cálculo.

Laparoscopia e cirurgia aberta são pouco usadas hoje, e ficam para casos complexos.1

Minha pesquisa em cirurgia percutânea

Durante a residência, fui o primeiro autor do estudo que reuniu a experiência do serviço: 1.066 cirurgias percutâneas em 891 pacientes, de 2011 a 2016. Complicações ocorreram em 14,9% dos casos, e a tomografia do dia seguinte mostrou que a chance de ficar sem fragmentos caiu de 87,9% nos casos mais simples para 24,3% nos mais complexos.3 Esse número ajuda a conversar antes da cirurgia sobre a possibilidade de mais de um procedimento.

Em outro estudo do serviço, comparamos 393 cirurgias em quatro posições do paciente. O sucesso e as complicações graves foram parecidos, e uma das posições de barriga para cima teve tempo de cirurgia menor.4

Como evitar nova pedra

Depois da primeira pedra, uma revisão calculou 26% de recorrência em cinco anos.1 Algumas medidas valem para quase todos.2

Quatro quadros de prevenção: água, de 2,5 a 3 litros por dia; sal, até 4 a 5 gramas por dia; proteína animal, de 0,8 a 1 grama por quilo de peso por dia; cálcio, de 1.000 a 1.200 miligramas por dia, sem cortar.
Medidas gerais da diretriz europeia. O ajuste depende do tipo de pedra.

Quem tem alto risco de voltar a ter pedra precisa de exames metabólicos, feitos com calma, de preferência cerca de três meses depois da crise.2

Como eu conduzo

Na minha prática, eu começo pela dor e pelo risco de infecção. Depois olho o tamanho e o lugar da pedra na tomografia e explico o que dá para esperar e o que precisa ser tratado. Apresento as opções com as vantagens e os limites de cada uma, e a decisão é tomada junto com o paciente. Hoje, a ureteroscopia a laser e a percutânea resolvem a maior parte dos casos. Depois do tratamento, falamos sobre prevenção, porque a pedra pode voltar.

CirurgiaNa minha prática
Ureteroscopia a laserAnestesia geral e internação de menos de 12 horas. Em geral deixo um cateter duplo J: 5 dias quando a cirurgia vai bem, mais tempo se necessário.
PercutâneaSempre de barriga para cima, em geral na posição de Barts flank-free. Internação de 24 horas. Sempre que possível, sem nefrostomia, só com o cateter duplo J.

Por onde começar

Quando procurar o urologista

  • Se tiver cólica com febre ou calafrios
  • Se a dor não melhorar com o remédio
  • Se um exame mostrar pedra no rim ou no ureter, mesmo sem dor
  • Se você tem um rim só
  • Se já teve pedra e quer evitar a próxima

Perguntas frequentes

Pedra no rim sai sozinha?

Muitas saem, sobretudo as pequenas que já estão no ureter. Cerca de 75% das pedras menores que 5 mm passam sozinhas, em média em 17 dias.1 A chance cai conforme a pedra cresce e varia de pessoa para pessoa.

Cólica renal com febre é perigosa?

Sim. Rim obstruído com sinais de infecção é uma urgência urológica. A urina precisa ser drenada com urgência, e o antibiótico começa logo.1

Quanta água devo beber para evitar pedra?

A diretriz europeia orienta de 2,5 a 3 litros de líquido por dia, de preferência água, para urinar mais de 2,5 litros em 24 horas.2

Quem tem pedra precisa cortar o cálcio?

Em geral, não. O cálcio da alimentação não deve ser restringido sem motivo forte, porque comer pouco cálcio se associa a mais pedras. A necessidade diária é de 1.000 a 1.200 mg.2

A pedra volta depois do tratamento?

Pode voltar. Uma revisão citada pela diretriz europeia calculou 26% de recorrência em cinco anos depois da primeira pedra.1 A prevenção depende do tipo de pedra e do risco de cada pessoa.2

Toda pedra no rim precisa de cirurgia?

Não. Pedras pequenas, paradas e sem sintomas podem ser acompanhadas. O tratamento entra quando a pedra cresce, obstrui, causa infecção ou dor.1

Referências

  1. EAU Guidelines on Urolithiasis. European Association of Urology; 2026. Capítulo de diretrizes. EAU
  2. EAU Guidelines on Urolithiasis. European Association of Urology; 2026. Capítulo de avaliação metabólica e prevenção. EAU
  3. de Souza Melo PA, Vicentini FC, Beraldi AA, et al. Outcomes of more than 1 000 percutaneous nephrolithotomies and validation of Guy's stone score. BJU Int. 2018;121(4):640-646. PubMed
  4. Melo PAS, Vicentini FC, Perrella R, et al. Comparative study of percutaneous nephrolithotomy performed in the traditional prone position and in three different supine positions. Int Braz J Urol. 2019;45(1):108-117. PubMed

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