Resposta rápida
O cálculo renal é uma pedra formada por substâncias da urina que cristalizam. Ele pode ficar parado no rim sem dar sintomas ou descer pelo ureter e causar cólica. Muitas pedras pequenas saem sozinhas. Quando a pedra não sai, cresce, obstrui ou causa infecção, ela pode ser tratada por ureteroscopia a laser ou por cirurgia percutânea. As ondas de choque são outra opção.
O que é
A pedra nasce quando substâncias da urina cristalizam e se juntam, e muitas são uma mistura de mais de um material.1 A frequência varia de 1% a 13% da população, conforme o lugar, o clima, a alimentação e a genética.1
Sintomas
A pedra parada no rim pode não dar sintoma nenhum. Quando desce para o ureter, ela costuma causar dor forte nas costas ou no flanco e vômitos, às vezes com febre.1 A dor vem porque a urina não passa bem e o rim dilata.
A avaliação também deve ser imediata em quem tem um rim só e quando há dúvida sobre a causa da dor.1
Como é feito o diagnóstico
O ultrassom costuma ser o primeiro exame, porque é seguro e não usa radiação. Ele tem limite: acha cerca de 45% das pedras do ureter.1 Depois dele, a tomografia sem contraste confirma o diagnóstico. Ela mostra onde a pedra está, o tamanho, a densidade e a anatomia em volta, e tudo isso ajuda a escolher o tratamento.1
Exames de sangue e de urina completam a avaliação. Quando a pedra é retirada ou sai, vale analisar do que ela é feita.1
Quando a pedra sai sozinha
Pedras pequenas no ureter podem ser acompanhadas quando não há infecção, dor sem controle nem piora da função do rim.1 Cerca de 75% das pedras menores que 5 mm passam sozinhas, e 62% das que têm 5 mm ou mais. O tempo médio é de 17 dias.1 A localização também pesa.

Para a dor, o anti-inflamatório é a primeira escolha, se não houver contraindicação.1 Nas pedras na parte baixa do ureter com mais de 5 mm, um alfabloqueador pode ajudar a pedra a sair. É um uso fora da bula, combinado com o paciente.1
Quando tratar e quais são as opções
No ureter, a retirada é indicada quando a chance de sair sozinha é baixa, a dor persiste apesar do remédio, a obstrução continua ou a função do rim está em risco.1
No rim, o tratamento entra quando a pedra cresce, obstrui, causa infecção ou dor. Também pesam a preferência do paciente, outras doenças e a rotina, como uma profissão que exige viagens.1 Pedras pequenas e sem sintomas podem ser acompanhadas. Em uma revisão, de 7% a 26% delas acabaram em cirurgia.1

| Opção | Como funciona | Onde costuma entrar |
|---|---|---|
| Ureteroscopia a laser | Um aparelho fino entra pela uretra e chega à pedra, sem corte | Pedras do ureter e do rim; acima de 2 cm, quando a percutânea não é opção1 |
| Percutânea | Um acesso pequeno nas costas chega ao rim, e a pedra é quebrada e retirada | Primeira opção para pedras do rim acima de 2 cm1 |
| Ondas de choque | Fragmentam a pedra de fora do corpo, e os pedaços saem na urina | Pedras de até 2 cm; rende menos no polo inferior do rim e pode exigir mais de uma sessão1 |
No ureter, a ureteroscopia tem mais chance de resolver em um só procedimento, com mais complicações do que as ondas de choque.1 Entre 1 e 2 cm no rim, a percutânea com instrumentos menores retira mais pedra, com mais risco de sangramento e internação mais longa.1 A escolha depende do tamanho, do lugar, da densidade da pedra e da anatomia de cada pessoa.
Laparoscopia e cirurgia aberta são pouco usadas hoje, e ficam para casos complexos.1
Minha pesquisa em cirurgia percutânea
Durante a residência, fui o primeiro autor do estudo que reuniu a experiência do serviço: 1.066 cirurgias percutâneas em 891 pacientes, de 2011 a 2016. Complicações ocorreram em 14,9% dos casos, e a tomografia do dia seguinte mostrou que a chance de ficar sem fragmentos caiu de 87,9% nos casos mais simples para 24,3% nos mais complexos.3 Esse número ajuda a conversar antes da cirurgia sobre a possibilidade de mais de um procedimento.
Em outro estudo do serviço, comparamos 393 cirurgias em quatro posições do paciente. O sucesso e as complicações graves foram parecidos, e uma das posições de barriga para cima teve tempo de cirurgia menor.4
Como evitar nova pedra
Depois da primeira pedra, uma revisão calculou 26% de recorrência em cinco anos.1 Algumas medidas valem para quase todos.2

Quem tem alto risco de voltar a ter pedra precisa de exames metabólicos, feitos com calma, de preferência cerca de três meses depois da crise.2
Como eu conduzo
Na minha prática, eu começo pela dor e pelo risco de infecção. Depois olho o tamanho e o lugar da pedra na tomografia e explico o que dá para esperar e o que precisa ser tratado. Apresento as opções com as vantagens e os limites de cada uma, e a decisão é tomada junto com o paciente. Hoje, a ureteroscopia a laser e a percutânea resolvem a maior parte dos casos. Depois do tratamento, falamos sobre prevenção, porque a pedra pode voltar.
| Cirurgia | Na minha prática |
|---|---|
| Ureteroscopia a laser | Anestesia geral e internação de menos de 12 horas. Em geral deixo um cateter duplo J: 5 dias quando a cirurgia vai bem, mais tempo se necessário. |
| Percutânea | Sempre de barriga para cima, em geral na posição de Barts flank-free. Internação de 24 horas. Sempre que possível, sem nefrostomia, só com o cateter duplo J. |
Por onde começar
- Sintomas e cólica renalComo é a dor, por que o rim dilata e o que pede avaliação imediata.
- Quando operar o cálculoQuando esperar, quando tratar e o que muda a escolha da técnica.
- Ureteroscopia flexível a laserComo é a cirurgia pela uretra, sem cortes.
- Nefrolitotripsia percutâneaComo é a cirurgia para pedras grandes no rim.
- Cateter duplo JPara que serve, quanto tempo fica e o que incomoda.
- Como prevenir pedra no rimÁgua, alimentação, exames e o tipo de pedra.
- Pedra na bexigaPor que se forma e a relação com a próstata.
Quando procurar o urologista
- Se tiver cólica com febre ou calafrios
- Se a dor não melhorar com o remédio
- Se um exame mostrar pedra no rim ou no ureter, mesmo sem dor
- Se você tem um rim só
- Se já teve pedra e quer evitar a próxima
Perguntas frequentes
Pedra no rim sai sozinha?+
Muitas saem, sobretudo as pequenas que já estão no ureter. Cerca de 75% das pedras menores que 5 mm passam sozinhas, em média em 17 dias.1 A chance cai conforme a pedra cresce e varia de pessoa para pessoa.
Cólica renal com febre é perigosa?+
Sim. Rim obstruído com sinais de infecção é uma urgência urológica. A urina precisa ser drenada com urgência, e o antibiótico começa logo.1
Quanta água devo beber para evitar pedra?+
A diretriz europeia orienta de 2,5 a 3 litros de líquido por dia, de preferência água, para urinar mais de 2,5 litros em 24 horas.2
Quem tem pedra precisa cortar o cálcio?+
Em geral, não. O cálcio da alimentação não deve ser restringido sem motivo forte, porque comer pouco cálcio se associa a mais pedras. A necessidade diária é de 1.000 a 1.200 mg.2
A pedra volta depois do tratamento?+
Pode voltar. Uma revisão citada pela diretriz europeia calculou 26% de recorrência em cinco anos depois da primeira pedra.1 A prevenção depende do tipo de pedra e do risco de cada pessoa.2
Toda pedra no rim precisa de cirurgia?+
Não. Pedras pequenas, paradas e sem sintomas podem ser acompanhadas. O tratamento entra quando a pedra cresce, obstrui, causa infecção ou dor.1
Referências
- EAU Guidelines on Urolithiasis. European Association of Urology; 2026. Capítulo de diretrizes. EAU
- EAU Guidelines on Urolithiasis. European Association of Urology; 2026. Capítulo de avaliação metabólica e prevenção. EAU
- de Souza Melo PA, Vicentini FC, Beraldi AA, et al. Outcomes of more than 1 000 percutaneous nephrolithotomies and validation of Guy's stone score. BJU Int. 2018;121(4):640-646. PubMed
- Melo PAS, Vicentini FC, Perrella R, et al. Comparative study of percutaneous nephrolithotomy performed in the traditional prone position and in three different supine positions. Int Braz J Urol. 2019;45(1):108-117. PubMed
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