Ir para o conteúdo

Rastreamento e exame de próstata

Com que idade começar, como é a avaliação e o que os estudos mostram.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 06/11/2026
Agendar consulta
Dr. Petronio Melo sorrindo, de jaleco, diante de uma parede de madeira
Nesta página

Resposta rápida

Rastrear é procurar o câncer de próstata em homens sem sintomas, com PSA e toque retal. A SBU e a diretriz europeia orientam começar aos 50 anos, ou aos 45 para homens negros ou com familiar de primeiro grau com a doença.1,2 O Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento de toda a população e orienta decidir em conjunto com quem pede o exame.3 As duas posições têm em comum a conversa sobre riscos e benefícios.

O que é rastreamento

O rastreamento busca a doença em quem não tem sintomas. O diagnóstico precoce investiga logo quem já tem sinais.3

O câncer de próstata localizado costuma não dar sintomas, e é isso que justifica procurar antes.1 Do outro lado está o sobrediagnóstico, que pode levar a exames e tratamentos desnecessários.1,4

O que cada entidade orienta

EntidadeOrientação
SBUAvaliação individual a partir dos 50 anos, ou dos 45 para homens negros ou com familiar de primeiro grau com a doença2
Diretriz europeiaA partir dos 50 anos, dos 45 com história na família ou ascendência africana e dos 40 com mutação no BRCA2, com estratégia ajustada ao risco1
Diretriz americanaPSA com decisão compartilhada e intervalos ajustados a cada homem8
Força-tarefa americanaDe 55 a 69 anos, decisão individual: o benefício é pequeno para alguns homens. Depois dos 70 anos, os danos são maiores7
Ministério da Saúde e INCANão recomendam o rastreamento de toda a população e orientam decisão compartilhada com os homens que pedem o exame3
Três barras com a idade de início: 40 anos com mutação no gene BRCA2, 45 anos para homens negros ou com familiar de primeiro grau com a doença, e 50 anos para os homens em geral.
Idades de início da SBU e da diretriz europeia. A mutação no BRCA2 entra na orientação europeia.

O que os estudos mostram

EstudoComo foi feitoResultado
Europeu, 23 anos162.236 homens de 55 a 69 anos, com PSA repetido13% menos mortes por câncer de próstata e 30% mais diagnósticos. Uma morte evitada a cada 456 convidados
CAP, 15 anos415.357 homens, com um único convite para o PSAMortes por câncer de próstata: 0,69% no grupo convidado e 0,78% no outro. A redução absoluta foi pequena
Sueco, 202237.887 homens convidados, com PSA e ressonânciaFazer biópsia só das lesões vistas na ressonância reduziu pela metade os tumores sem importância: 0,6% e 1,2%

Uma revisão da Cochrane, com cinco estudos randomizados, não encontrou ganho na sobrevivência específica. A diretriz europeia aponta que dois estudos mostraram impacto favorável: o europeu e o CAP.1 As divergências vêm desse quadro, e o estudo sueco mostra uma forma de reduzir o dano usando a ressonância.6

Como é o exame de próstata

  1. ConversaFalamos sobre idade, família, sintomas, remédios e exames anteriores.
  2. PSAÉ um exame de sangue, feito em laboratório.
  3. Toque retalCom luva e lubrificante, o médico sente a parte da próstata que fica junto ao reto. Leva poucos segundos e pode incomodar.
  4. Próximo passoCom os resultados, decidimos entre acompanhar, repetir o PSA ou pedir ressonância.

O toque continua útil mesmo com o PSA. Em cerca de 18% dos casos, o câncer é encontrado apenas pelo toque alterado. Em um grande estudo europeu, um toque alterado com PSA alto mais que dobrou a chance de biópsia positiva: 48,6% e 22,4%.1

Primeiros sinais

O câncer de próstata inicial costuma não dar sintomas, que aparecem mais tarde.1 Jato fraco, vontade frequente de urinar ou sangue na urina têm várias causas e merecem avaliação em qualquer idade.

Como eu conduzo

Na minha prática, eu explico antes de pedir o exame o que ele pode mostrar e o que pode vir depois. Com a decisão tomada, faço a avaliação com PSA e toque. Quando há história na família, pergunto quem teve a doença, com que idade e se houve outros tumores, como de mama ou ovário. O intervalo entre os exames depende do resultado e do risco de cada homem.

Quando procurar o urologista

  • A partir dos 50 anos, ou dos 45 se você for negro ou tiver um familiar de primeiro grau com a doença1,2
  • A partir dos 40 anos, se você tiver mutação no gene BRCA21
  • Em qualquer idade, se tiver sintomas urinários ou sangue na urina
  • Se o PSA vier alterado ou subir entre um exame e outro

Perguntas frequentes

Com que idade devo fazer o exame de próstata?

A SBU e a diretriz europeia orientam a partir dos 50 anos, ou dos 45 para homens negros ou com familiar de primeiro grau com a doença.1,2 Quem tem mutação no gene BRCA2 começa aos 40 anos.1

Só o PSA basta, sem o toque retal?

O toque acrescenta informação. Em cerca de 18% dos casos, o câncer é encontrado apenas pelo toque alterado, qualquer que seja o valor do PSA.1 O toque também entra na definição do estágio e do grupo de risco.1

Quais são os primeiros sinais do câncer de próstata?

Em geral, o câncer localizado não dá sintomas. Eles costumam aparecer mais tarde.1 Por isso, não ter sintomas não exclui a doença.

Por que o Ministério da Saúde não recomenda o rastreamento?

Ele avalia que o rastreamento de toda a população aumenta os diagnósticos sem redução significativa da mortalidade e com danos à saúde do homem. O Ministério orienta discutir riscos e benefícios com os homens que pedirem o exame.3

Preciso fazer o exame todo ano?

Nem sempre. O intervalo depende do seu risco e dos resultados anteriores. A diretriz americana aceita intervalos mais longos e ajustados a cada homem.8

A ressonância pode substituir o PSA e o toque?

Não. A diretriz europeia orienta não usar a ressonância como primeiro exame de rastreamento.1 Ela entra depois, para ajudar a decidir sobre a biópsia.

Referências

  1. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. European Association of Urology; 2026. EAU
  2. Sociedade Brasileira de Urologia. Aconselhamento para o diagnóstico precoce do câncer de próstata. 2020. SBU
  3. Instituto Nacional de Câncer. Ministério da Saúde recomenda o não rastreamento populacional do câncer de próstata. 2023. INCA
  4. Roobol MJ, de Vos II, Månsson M, et al. European Study of Prostate Cancer Screening: 23-Year Follow-up. N Engl J Med. 2025;393(17):1669-1680. PubMed
  5. Martin RM, Turner EL, Young GJ, et al. Prostate-Specific Antigen Screening and 15-Year Prostate Cancer Mortality: A Secondary Analysis of the CAP Randomized Clinical Trial. JAMA. 2024;331(17):1460-1470. PubMed
  6. Hugosson J, Månsson M, Wallström J, et al. Prostate Cancer Screening with PSA and MRI Followed by Targeted Biopsy Only. N Engl J Med. 2022;387(23):2126-2137. PubMed
  7. US Preventive Services Task Force, Grossman DC, Curry SJ, et al. Screening for Prostate Cancer: US Preventive Services Task Force Recommendation Statement. JAMA. 2018;319(18):1901-1913. PubMed
  8. Wei JT, Barocas D, Carlsson S, et al. Early Detection of Prostate Cancer: AUA/SUO Guideline Part I: Prostate Cancer Screening. J Urol. 2023;210(1):46-53. PubMed

Quer conversar sobre o seu caso?

Na consulta, avalio os exames e as suas prioridades.

Agendar consulta

Leia também