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Gonorreia

Sintomas, exames, tratamento e por que a resistência aos antibióticos importa.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 07/11/2026
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Desenho de uma célula de defesa com pares de bactérias em seu interior
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Resposta rápida

Gonorreia é uma infecção causada pela bactéria Neisseria gonorrhoeae, transmitida por sexo vaginal, anal e oral.1 No homem, costuma dar corrimento com aspecto de pus e ardência ao urinar, de 2 a 5 dias depois da infecção.1 No Brasil, o tratamento é feito com ceftriaxona injetável e azitromicina por via oral, em dose única.1 A parceria precisa ser tratada, e a garganta e o reto podem estar infectados sem nenhum sintoma.1

O que é e como pega

A bactéria infecta as mucosas: uretra, colo do útero, reto, garganta e, mais raramente, a conjuntiva dos olhos.1 O risco de transmissão é, em média, de 50% a cada relação com uma pessoa infectada.1

Animação esquemática: no exame do corrimento, o gonococo aparece em pares, dentro das células de defesa.

Sintomas em cada local

Na uretra do homem, menos de 10% das infecções ficam sem sintomas.1 Nas outras mucosas, a infecção silenciosa é a regra, e é por isso que o exame depende da prática sexual de cada pessoa.1

LocalO que costuma acontecer
Uretra do homemCorrimento em mais de 80% dos casos com sintomas e dor ao urinar em mais de 50%
Uretra da mulherFrequentemente sem sintomas
GargantaSem sintomas em mais de 90% dos casos
RetoEm geral sem sintomas. Pode dar proctite em 12% e desconforto no ânus em 7%
OlhosSecreção com pus e inchaço, por contato com a mão ou com objetos. Precisa de tratamento sem demora

Fonte da tabela: protocolo brasileiro.1

Como é feito o diagnóstico

No homem com corrimento, a bacterioscopia pelo Gram é rápida e tem bom desempenho: o achado são pares de bactérias dentro das células de defesa.1 A biologia molecular identifica gonococo e clamídia ao mesmo tempo, com alta precisão, e é o método de escolha para quem não tem sintomas.1 A cultura permite ver a quais antibióticos a bactéria responde.1

A coleta acompanha a prática sexual: urina, secreção genital ou amostras do ânus e da garganta, com testes validados para esses locais.1

Como é o tratamento

Para a infecção sem complicação na uretra, no colo do útero, no reto ou na garganta, o protocolo brasileiro usa ceftriaxona injetável e azitromicina por via oral, em dose única.1 A dose é definida na consulta. A diretriz americana usa a ceftriaxona e acrescenta doxiciclina por 7 dias quando a clamídia não foi descartada.2

Em quem tem alergia grave às cefalosporinas, o protocolo brasileiro traz uma alternativa só com azitromicina.1 Nos casos de falha do tratamento, há um esquema próprio de retratamento.1

Até que todos terminem o tratamento, a orientação é não ter relação desprotegida, por 7 dias depois do remédio em dose única.1 A diretriz americana recomenda repetir o exame 3 meses depois, mesmo que a parceria tenha sido tratada.2

Por que a resistência aos antibióticos importa

O gonococo tem grande capacidade de criar resistência.3 No Brasil, o monitoramento do Ministério da Saúde mostra que a resistência ao ciprofloxacino se mantém e que a resistência à azitromicina aumentou de forma importante.3

Nos países que enviaram dados ao programa de vigilância da OMS, a resistência à ceftriaxona subiu de 0,8% para 5% entre 2022 e 2024, e a resistência ao ciprofloxacino chegou a 95%.4 Esses números não são do Brasil, mas mostram a direção do problema.

Complicações

No homem, a infecção pode subir pela uretra e causar orquiepididimite, prostatite e estenose de uretra.1 A conjuntivite pode levar a úlcera de córnea e até cegueira se não for tratada.1

A forma disseminada é rara, de 0,5% a 3% dos casos. A bactéria chega ao sangue e causa febre, lesões na pele, dor e inflamação nas articulações.1

Quando procurar o urologista

  • Se sair corrimento ou pus pela uretra
  • Se tiver ardência ao urinar depois de uma relação
  • Se a parceria tiver diagnóstico de gonorreia ou clamídia
  • Se os sintomas continuarem depois do tratamento
  • Se tiver dor ou inchaço no testículo

Perguntas frequentes

Quais são os sintomas de gonorreia no homem?

Corrimento com aspecto de pus e ardência ao urinar. Entre os homens com sintomas, mais de 80% têm corrimento e mais de 50% têm dor ao urinar.1

Em quantos dias aparecem os sintomas?

Em geral, de 2 a 5 dias depois da infecção.1

Qual é a cor do corrimento da gonorreia?

Costuma ser amarelado ou esverdeado, com aspecto de pus. A cor sozinha não confirma o diagnóstico, porque outras uretrites podem ter a mesma aparência.1

Gonorreia pega por sexo oral?

Pega. A bactéria pode infectar a garganta, e mais de 90% dessas infecções não dão sintomas.1

Qual é o tratamento da gonorreia no Brasil?

Ceftriaxona injetável e azitromicina por via oral, em dose única, pelo protocolo do Ministério da Saúde.1 A dose é definida na consulta.

Posso tratar só com comprimido?

O protocolo brasileiro usa a injeção de ceftriaxona como base do tratamento. O comprimido sozinho só aparece como alternativa em quem tem alergia grave às cefalosporinas.1

Preciso repetir o exame depois do tratamento?

A diretriz americana recomenda repetir o exame 3 meses depois. Na infecção da garganta, recomenda também um teste de controle de 7 a 14 dias depois do tratamento.2

Posso pegar gonorreia de novo?

Pode. Ter tido a infecção não impede uma nova, e a parceria não tratada é uma das causas de retorno dos sintomas.1

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde; 2022. Ministério da Saúde
  2. Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187. Capítulo de gonorreia. CDC
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Por que o monitoramento da resistência da gonorreia é importante para o SUS? Brasília: Ministério da Saúde; 2023. Ministério da Saúde
  4. Organização Mundial da Saúde. More countries report rising levels of drug-resistant gonorrhoea, warns WHO. Genebra: OMS; 19 nov. 2025. OMS

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