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Corrimento no homem e uretrite

Causas do corrimento no pênis, exames, tratamento e o que fazer com a parceria.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 07/11/2026
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Desenho em corte do pênis, com a uretra inflamada marcada em laranja
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Resposta rápida

Corrimento pela uretra, no homem, em geral é uretrite: uma inflamação do canal por onde passa a urina.1 As causas mais frequentes são a gonorreia e a clamídia, que passam por sexo vaginal, anal e oral.1 O tratamento é feito com antibiótico escolhido conforme a causa, e a parceria também precisa ser tratada.1 Sem tratamento, a infecção pode subir e atingir o epidídimo e a próstata.1

O que é uretrite

A uretra é o canal que leva a urina da bexiga até a ponta do pênis. Quando ela inflama, aparecem corrimento em quantidade variável, dor ou ardência ao urinar, coceira na uretra e vermelhidão na saída do canal.1 A dor pode vir mesmo fora da hora de urinar.1 Em alguns homens, o corrimento é visto no exame sem que haja queixa.2

Animação esquemática: a uretra inflama, o corrimento aparece e a infecção pode subir.

Quais são as causas

A gonorreia e a clamídia lideram a lista.1 Quando a gonorreia é descartada, o nome usado é uretrite não gonocócica. Pelo protocolo brasileiro, a clamídia responde por cerca de metade desses casos.1 Dados dos Estados Unidos apontam de 15% a 40%, e cerca de metade dos casos fica sem germe identificado.2

CausaQuando apareceComo costuma ser
Gonorreia2 a 5 dias depois da infecçãoSecreção com aspecto de pus, frequente, e ardência ao urinar
Clamídia14 a 21 dias depois da infecçãoSecreção mais clara e discreta, ardência leve, que vai e volta
Mycoplasma genitaliumVariávelLembrado quando a uretrite não melhora
TricomonasVariávelMenos frequente: de 1% a 8% dos casos não gonocócicos
Outras causasVariávelHerpes, adenovírus, ureaplasma, cândida e bactérias do intestino no sexo anal insertivo
Sem infecçãoVariávelTrauma, produtos e objetos usados no sexo, irritação química

Fontes da tabela: protocolo brasileiro e diretriz americana.1,2

O que a cor do corrimento indica

A aparência ajuda, mas não define a causa. A secreção amarelada ou esverdeada, com aspecto de pus, é típica da gonorreia. A secreção clara, em pouca quantidade, com ardência leve, é mais comum nas uretrites não gonocócicas. Em alguns casos, porém, uma uretrite não gonocócica fica igual a uma gonorreia.1 Corrimento sem cheiro também não afasta infecção. Por isso, a cor sozinha não define a causa.

Duas gotas lado a lado. A primeira, amarelada e maior, mostra o corrimento mais típico da gonorreia: com pus e em maior quantidade. A segunda, clara e menor, mostra o corrimento mais típico da uretrite não gonocócica: claro e discreto. Uma faixa abaixo lembra que uma pode imitar a outra.
Esquema: o aspecto mais típico de cada grupo. Uma pode imitar a outra.

Nem toda secreção é uretrite. A gota clara que sai na excitação é o líquido natural de antes da ejaculação. Uma secreção embaixo do prepúcio, com a glande vermelha, sugere balanopostite. Bolinha com pus na pele do pênis é outra situação, e o exame mostra o que é.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico começa pela conversa sobre os sintomas, as parcerias e a prática sexual, e pelo exame. A partir daí, o protocolo brasileiro prioriza testes que identificam o germe, por causa da resistência aos antibióticos.1

  • Biologia molecular. Procura o material genético de clamídia e gonococo, com alta precisão. É o método de escolha também para quem não tem sintomas.1
  • Bacterioscopia pelo Gram. O corrimento é examinado no microscópio. É rápida e tem bom desempenho para gonorreia em homens com sintomas.1
  • Cultura. Identifica o gonococo e permite estudar a quais antibióticos ele responde.1
  • Exame do primeiro jato de urina. Sugere infecção, mas não diz qual é o germe. Fica para quando os outros métodos não estão disponíveis.1

Na minha prática, a uretrite é sempre tratada de forma empírica, sem esperar exame. Os exames ficam para quando o tratamento falha: culturas e PCR para os germes mais comuns.

O protocolo orienta oferecer também testes para outras ISTs e vacinas para hepatites A e B e para HPV, quando indicadas.1

Como é o tratamento

A conduta segue a causa. Quando o exame não está disponível ou não define o germe, o protocolo brasileiro trata gonorreia e clamídia ao mesmo tempo.1 Esse esquema também cobre o Mycoplasma genitalium.1

SituaçãoPrimeira opção do protocolo brasileiro
Causa não identificadaCeftriaxona injetável e azitromicina por via oral, em dose única
GonorreiaCeftriaxona injetável e azitromicina por via oral, em dose única
Clamídia ou uretrite não gonocócicaAzitromicina por via oral, em dose única. A doxiciclina por 7 dias é a segunda opção
TricomonasMetronidazol por via oral, por 7 dias

Fonte da tabela: protocolo brasileiro.1 A dose é definida na consulta. Nos Estados Unidos, a primeira opção para a uretrite não gonocócica é a doxiciclina.2

O protocolo orienta retornar de 7 a 10 dias depois do fim do tratamento.1 A diretriz americana recomenda repetir o exame 3 meses depois, quando a causa foi clamídia, gonorreia ou tricomonas.2

Por que a parceria precisa tratar

Se só um dos dois trata, a infecção volta. O protocolo brasileiro considera que a parceria tem a mesma infecção, mesmo sem sintomas, e orienta o mesmo tratamento.1 Muitas mulheres com gonorreia na uretra não têm sintomas, e a clamídia sem tratamento pode causar doença inflamatória pélvica.1 A diretriz americana inclui as parcerias dos últimos 60 dias.2

Até que todos terminem o tratamento, a orientação é não ter relação desprotegida. Isso significa esperar o fim do esquema de vários dias, ou 7 dias depois do remédio em dose única.1

Quando o corrimento não melhora

Os sintomas podem levar até 7 dias para sumir depois do fim do tratamento da clamídia e da uretrite não gonocócica.1 Quando persistem ou voltam, o protocolo lista estas causas:1

  • nova exposição a uma parceria não tratada
  • infecção adquirida de outra parceria
  • remédio tomado de forma errada ou incompleta
  • outro germe, como Mycoplasma genitalium, tricomonas ou ureaplasma
  • germe resistente
  • outras doenças, como infecção urinária, prostatite, fimose, estenose de uretra e tumores

A diretriz americana pede sinal objetivo de inflamação antes de tratar de novo, porque só o sintoma não basta para indicar outro antibiótico.2

O que acontece sem tratamento

A infecção pode subir pela uretra. No homem, as complicações citadas pelo protocolo são a orquiepididimite, que é a inflamação do testículo e do epidídimo, a prostatite e a estenose de uretra.1

Quando procurar o urologista

  • Se sair corrimento ou pus pela uretra
  • Se tiver dor ou ardência ao urinar depois de uma relação
  • Se a parceria tiver diagnóstico de IST
  • Se os sintomas continuarem depois do tratamento
  • Se o corrimento voltar com frequência

Perguntas frequentes

O que é corrimento no homem?

É a saída de secreção pela uretra, o canal por onde passa a urina. Em geral é sinal de uretrite, a inflamação desse canal, e as causas mais frequentes são a gonorreia e a clamídia.1

Corrimento amarelo no pênis é gonorreia?

A secreção amarelada, com aspecto de pus, é frequente na gonorreia, mas a cor não fecha o diagnóstico. As uretrites por outras causas podem ter a mesma aparência.1

Preciso fazer exame antes de tratar a uretrite?

O protocolo brasileiro prioriza testes que identificam o germe e tem esquema para quando o exame não está disponível.1 Na minha prática, trato de forma empírica, sem esperar exame. Peço culturas e PCR para os germes mais comuns quando o tratamento falha.

Qual remédio toma para corrimento masculino?

Depende da causa. O protocolo brasileiro usa antibióticos diferentes para gonorreia, clamídia e tricomonas, e uma combinação quando a causa não pôde ser identificada.1 Tomar antibiótico por conta própria pode deixar a infecção sem tratamento correto e favorece a resistência.1,3

Quanto tempo depois da relação aparece o corrimento?

Na gonorreia, costuma aparecer de 2 a 5 dias depois da infecção. Na clamídia, de 14 a 21 dias.1

Terminei o antibiótico e o corrimento continua. O que pode ser?

Os sintomas podem levar até 7 dias para sumir depois do fim do tratamento em alguns esquemas. Quando continuam, as causas possíveis são nova exposição a uma parceria não tratada, remédio tomado de forma incompleta, outro germe, resistência ou uma causa que não é infecção.1

A parceira ou o parceiro precisa tratar?

Sim. O protocolo brasileiro considera que a parceria tem a mesma infecção, mesmo sem sintomas, e orienta o mesmo tratamento.1 A diretriz americana inclui as parcerias dos últimos 60 dias.2

Quanto tempo devo ficar sem relação?

Sem relação desprotegida até que o tratamento de todos esteja completo. Isso significa o fim do esquema de vários dias ou 7 dias depois do remédio em dose única.1

Uretrite pode ter outra causa além de IST?

Pode. Irritação por lubrificantes e espermicidas, trauma, objetos na uretra, sondas e piercings estão entre as causas lembradas pelo protocolo. Infecção urinária, prostatite, fimose, estenose de uretra e tumores também podem dar sintomas parecidos.1

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde; 2022. Ministério da Saúde
  2. Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187. Capítulo de uretrite e cervicite. CDC
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Por que o monitoramento da resistência da gonorreia é importante para o SUS? Brasília: Ministério da Saúde; 2023. Ministério da Saúde

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