Ir para o conteúdo

Câncer de rim

Diagnóstico, estágios, tratamentos e quando dá para preservar o rim.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 06/11/2026
Agendar consulta
Braços do robô cirúrgico, cobertos por capas estéreis, sobre o campo cirúrgico
Nesta página

Resposta rápida

O câncer de rim mais comum é o carcinoma de células renais. Muitos casos são achados por acaso em exames de imagem, ainda pequenos. Em tumores até 7 cm, a diretriz europeia indica retirar o tumor e preservar o resto do rim. Alguns tumores até 4 cm podem ser acompanhados, sem tratamento imediato.

O que é

O carcinoma de células renais nasce no tecido do rim e representa cerca de 2% de todos os cânceres.1 O subtipo mais frequente é o de células claras, com 75% a 80% dos casos.4

Quem fuma, tem obesidade ou pressão alta tem mais risco.1 Parar de fumar, perder peso e fazer atividade física são as medidas de prevenção indicadas pela diretriz europeia.1 Estima-se que de 5% a 8% dos casos sejam hereditários. A avaliação genética é indicada para quem tem até 46 anos, tumores nos dois rins ou em vários pontos, ou parentes com a doença.2

Sintomas

A maior parte dos tumores não dá sintoma até fases avançadas.2 Em um estudo citado pela diretriz europeia, 60% dos tumores foram achados por acaso.2 Entre os de estágio T1a, esse número foi de 87%.2

Sangue na urina, dor no flanco e massa palpável podem aparecer, mas os três juntos são raros, com 0,6% dos casos.2

Como é feito o diagnóstico

  1. Tomografia com contrasteÉ o exame principal para diagnóstico e estadiamento, no abdome e no tórax.2
  2. RessonânciaAjuda a ver as veias, a evitar radiação ou contraste de tomografia e a esclarecer lesões duvidosas.2
  3. Biópsia, quando muda a condutaEm uma revisão de 2026, ela mudou a conduta em 39% dos pacientes e evitou tratamento ativo em 28%.6

A sensibilidade da biópsia para câncer foi de 99%, com complicações em 3% dos casos.6 Ela não é necessária quando a cirurgia já está planejada, qualquer que seja o resultado.2

A diretriz europeia não recomenda rastreamento de rotina para câncer de rim.1

Estágios

O estágio considera o tamanho do tumor e até onde ele chegou.

Animação esquemática, com o rim e a régua na mesma escala.
EstágioO que significa
T1aAté 4 cm, dentro do rim5
T1bDe 4 a 7 cm, dentro do rim5
T2Acima de 7 cm, dentro do rim5
T3Chega à gordura ao redor do rim ou às veias5
T4Ultrapassa a fáscia de Gerota, que envolve o rim, ou chega à adrenal5

Cerca de 70% dos pacientes têm estágio I no diagnóstico, e 11%, estágio IV.4

Tem cura?

Quando o tumor está localizado, a cirurgia é feita com intenção de cura.3 Em tumores menores que 4 cm, a sobrevida específica em cinco anos depois da nefrectomia parcial pode passar de 94%.4 Esse número vem de grupos de pacientes e não prevê o caso de cada pessoa.

Quais são os tratamentos

OpçãoQuando a diretriz europeia indica
Nefrectomia parcialTumores T1. Em T2, quando há rim único ou doença renal crônica, se for viável3
Nefrectomia radicalTumores T2 e massas localizadas que não dão para tratar com a parcial3
Vigilância ativaTumores até 4 cm, sem indicação de tratamento imediato, quando uma cirurgia mais tarde for adequada3
Ablação ou radioterapia estereotáxicaTumores T1 com indicação de tratamento em quem não pode operar3
Comparação entre nefrectomia parcial, que retira o tumor com margem e deixa o resto do rim, e nefrectomia radical, que retira o rim inteiro com o tumor
O que sai em cada cirurgia.

A nefrectomia parcial pode ser aberta, laparoscópica ou robótica, conforme a experiência do cirurgião. As vias robótica e laparoscópica têm internação mais curta e menos sangramento que a aberta.3

No console, os dedos do cirurgião comandam as pinças do robô.

Depois da cirurgia, quem tem carcinoma de células claras com risco maior de voltar pode receber pembrolizumabe. No estudo KEYNOTE-564, a sobrevida estimada em cinco anos foi de 87,7% com o remédio e de 82,3% com placebo.7 A diretriz europeia pede que os benefícios e os efeitos do tratamento sejam discutidos com o paciente.3

Na doença metastática, combinações de imunoterapia, ou de imunoterapia com remédios-alvo, são a base do tratamento.4

Tumor da pelve renal e do ureter

Esse tumor nasce no revestimento interno, como o da bexiga, e tem outro tratamento. Nos casos de baixo risco, a diretriz europeia indica preservar o rim. Nos de alto risco, sem metástase, indica a nefroureterectomia radical, que retira o rim e o ureter, por via aberta, laparoscópica ou robótica.8

Na minha prática, a internação da nefroureterectomia é de 1 a 2 dias, e a sonda fica de 3 a 5 dias.

Acompanhamento

O intervalo dos exames depende do risco de cada tumor.9 O acompanhamento procura o retorno da doença e também cuida da função dos rins.9

Como eu conduzo

Na minha prática, eu começo pela imagem: o tamanho do tumor, onde ele fica e como está o outro rim. Quando dá para preservar o rim com segurança, avalio com o paciente a nefrectomia parcial, e essa cirurgia pode ser feita com robô. A decisão é tomada junto com o paciente, e a família participa se ele quiser.

Quando procurar o urologista

  • Se um exame de imagem mostrar nódulo no rim ou cisto complexo
  • Se aparecer sangue na urina
  • Se tiver dor no flanco que não passa
  • Se tiver parentes com câncer de rim e dúvidas sobre o seu risco

Perguntas frequentes

Câncer de rim tem cura?

Quando está localizado, a cirurgia é feita com intenção de cura.3 Em tumores menores que 4 cm, a sobrevida específica em cinco anos depois da nefrectomia parcial pode passar de 94%.4 Esse número não prevê o caso de cada pessoa.

Câncer de rim dá sintomas?

Muitas vezes não. Em um estudo citado pela diretriz europeia, 60% dos tumores foram achados por acaso. Entre os tumores até 4 cm, foram 87%.2

Vou precisar tirar o rim inteiro?

Nem sempre. Em tumores T1, até 7 cm, a diretriz europeia indica a nefrectomia parcial, que retira o tumor e preserva o resto do rim.3

Precisa fazer biópsia antes da cirurgia?

Nem sempre. A biópsia não é necessária quando a cirurgia já está planejada, qualquer que seja o resultado. Ela é indicada antes de ablação ou de tratamento sistêmico sem diagnóstico, e em parte de quem considera a vigilância ativa.2

Todo tumor de rim precisa ser tratado na hora?

Não. Tumores até 4 cm, sem indicação de tratamento imediato, podem entrar em vigilância ativa. Nessas séries, a evolução para metástase é rara, de 1% a 2%.3

Referências

  1. EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de epidemiologia, causas e patologia. EAU
  2. EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de avaliação diagnóstica. EAU
  3. EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de tratamento. EAU
  4. Rose TL, Kim WY. Renal Cell Carcinoma: A Review. JAMA. 2024;332(12):1001-1010. PubMed
  5. EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de estadiamento e classificação. EAU
  6. Mjaess G, Nicolazzini M, Amparore D, et al. Systematic Review and Meta-analysis on Renal Tumor Biopsy: Accuracy, Safety, and Impact on Clinical Decision-making. Eur Urol. 2026;90(5):503-514. PubMed
  7. Haas NB, Powles TB, Tomczak P, et al. Adjuvant pembrolizumab for the treatment of clear cell renal cell carcinoma: five-year results from the phase III KEYNOTE-564 study. Ann Oncol. 2026;37(11):1564-1571. PubMed
  8. EAU Guidelines on Upper Urinary Tract Urothelial Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de tratamento. EAU
  9. EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de acompanhamento. EAU

Quer conversar sobre o seu caso?

Na consulta, avalio os exames e as suas prioridades.

Agendar consulta

Leia também