Resposta rápida
O câncer de rim mais comum é o carcinoma de células renais. Muitos casos são achados por acaso em exames de imagem, ainda pequenos. Em tumores até 7 cm, a diretriz europeia indica retirar o tumor e preservar o resto do rim. Alguns tumores até 4 cm podem ser acompanhados, sem tratamento imediato.
O que é
O carcinoma de células renais nasce no tecido do rim e representa cerca de 2% de todos os cânceres.1 O subtipo mais frequente é o de células claras, com 75% a 80% dos casos.4
Quem fuma, tem obesidade ou pressão alta tem mais risco.1 Parar de fumar, perder peso e fazer atividade física são as medidas de prevenção indicadas pela diretriz europeia.1 Estima-se que de 5% a 8% dos casos sejam hereditários. A avaliação genética é indicada para quem tem até 46 anos, tumores nos dois rins ou em vários pontos, ou parentes com a doença.2
Sintomas
A maior parte dos tumores não dá sintoma até fases avançadas.2 Em um estudo citado pela diretriz europeia, 60% dos tumores foram achados por acaso.2 Entre os de estágio T1a, esse número foi de 87%.2
Sangue na urina, dor no flanco e massa palpável podem aparecer, mas os três juntos são raros, com 0,6% dos casos.2
Como é feito o diagnóstico
- Tomografia com contrasteÉ o exame principal para diagnóstico e estadiamento, no abdome e no tórax.2
- RessonânciaAjuda a ver as veias, a evitar radiação ou contraste de tomografia e a esclarecer lesões duvidosas.2
- Biópsia, quando muda a condutaEm uma revisão de 2026, ela mudou a conduta em 39% dos pacientes e evitou tratamento ativo em 28%.6
A sensibilidade da biópsia para câncer foi de 99%, com complicações em 3% dos casos.6 Ela não é necessária quando a cirurgia já está planejada, qualquer que seja o resultado.2
A diretriz europeia não recomenda rastreamento de rotina para câncer de rim.1
Estágios
O estágio considera o tamanho do tumor e até onde ele chegou.
| Estágio | O que significa |
|---|---|
| T1a | Até 4 cm, dentro do rim5 |
| T1b | De 4 a 7 cm, dentro do rim5 |
| T2 | Acima de 7 cm, dentro do rim5 |
| T3 | Chega à gordura ao redor do rim ou às veias5 |
| T4 | Ultrapassa a fáscia de Gerota, que envolve o rim, ou chega à adrenal5 |
Cerca de 70% dos pacientes têm estágio I no diagnóstico, e 11%, estágio IV.4
Tem cura?
Quando o tumor está localizado, a cirurgia é feita com intenção de cura.3 Em tumores menores que 4 cm, a sobrevida específica em cinco anos depois da nefrectomia parcial pode passar de 94%.4 Esse número vem de grupos de pacientes e não prevê o caso de cada pessoa.
Quais são os tratamentos
| Opção | Quando a diretriz europeia indica |
|---|---|
| Nefrectomia parcial | Tumores T1. Em T2, quando há rim único ou doença renal crônica, se for viável3 |
| Nefrectomia radical | Tumores T2 e massas localizadas que não dão para tratar com a parcial3 |
| Vigilância ativa | Tumores até 4 cm, sem indicação de tratamento imediato, quando uma cirurgia mais tarde for adequada3 |
| Ablação ou radioterapia estereotáxica | Tumores T1 com indicação de tratamento em quem não pode operar3 |

A nefrectomia parcial pode ser aberta, laparoscópica ou robótica, conforme a experiência do cirurgião. As vias robótica e laparoscópica têm internação mais curta e menos sangramento que a aberta.3
Depois da cirurgia, quem tem carcinoma de células claras com risco maior de voltar pode receber pembrolizumabe. No estudo KEYNOTE-564, a sobrevida estimada em cinco anos foi de 87,7% com o remédio e de 82,3% com placebo.7 A diretriz europeia pede que os benefícios e os efeitos do tratamento sejam discutidos com o paciente.3
Na doença metastática, combinações de imunoterapia, ou de imunoterapia com remédios-alvo, são a base do tratamento.4
Tumor da pelve renal e do ureter
Esse tumor nasce no revestimento interno, como o da bexiga, e tem outro tratamento. Nos casos de baixo risco, a diretriz europeia indica preservar o rim. Nos de alto risco, sem metástase, indica a nefroureterectomia radical, que retira o rim e o ureter, por via aberta, laparoscópica ou robótica.8
Na minha prática, a internação da nefroureterectomia é de 1 a 2 dias, e a sonda fica de 3 a 5 dias.
Acompanhamento
O intervalo dos exames depende do risco de cada tumor.9 O acompanhamento procura o retorno da doença e também cuida da função dos rins.9
Como eu conduzo
Na minha prática, eu começo pela imagem: o tamanho do tumor, onde ele fica e como está o outro rim. Quando dá para preservar o rim com segurança, avalio com o paciente a nefrectomia parcial, e essa cirurgia pode ser feita com robô. A decisão é tomada junto com o paciente, e a família participa se ele quiser.
Quando procurar o urologista
- Se um exame de imagem mostrar nódulo no rim ou cisto complexo
- Se aparecer sangue na urina
- Se tiver dor no flanco que não passa
- Se tiver parentes com câncer de rim e dúvidas sobre o seu risco
Perguntas frequentes
Câncer de rim tem cura?+
Quando está localizado, a cirurgia é feita com intenção de cura.3 Em tumores menores que 4 cm, a sobrevida específica em cinco anos depois da nefrectomia parcial pode passar de 94%.4 Esse número não prevê o caso de cada pessoa.
Câncer de rim dá sintomas?+
Muitas vezes não. Em um estudo citado pela diretriz europeia, 60% dos tumores foram achados por acaso. Entre os tumores até 4 cm, foram 87%.2
Vou precisar tirar o rim inteiro?+
Nem sempre. Em tumores T1, até 7 cm, a diretriz europeia indica a nefrectomia parcial, que retira o tumor e preserva o resto do rim.3
Precisa fazer biópsia antes da cirurgia?+
Nem sempre. A biópsia não é necessária quando a cirurgia já está planejada, qualquer que seja o resultado. Ela é indicada antes de ablação ou de tratamento sistêmico sem diagnóstico, e em parte de quem considera a vigilância ativa.2
Todo tumor de rim precisa ser tratado na hora?+
Não. Tumores até 4 cm, sem indicação de tratamento imediato, podem entrar em vigilância ativa. Nessas séries, a evolução para metástase é rara, de 1% a 2%.3
Referências
- EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de epidemiologia, causas e patologia. EAU
- EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de avaliação diagnóstica. EAU
- EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de tratamento. EAU
- Rose TL, Kim WY. Renal Cell Carcinoma: A Review. JAMA. 2024;332(12):1001-1010. PubMed
- EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de estadiamento e classificação. EAU
- Mjaess G, Nicolazzini M, Amparore D, et al. Systematic Review and Meta-analysis on Renal Tumor Biopsy: Accuracy, Safety, and Impact on Clinical Decision-making. Eur Urol. 2026;90(5):503-514. PubMed
- Haas NB, Powles TB, Tomczak P, et al. Adjuvant pembrolizumab for the treatment of clear cell renal cell carcinoma: five-year results from the phase III KEYNOTE-564 study. Ann Oncol. 2026;37(11):1564-1571. PubMed
- EAU Guidelines on Upper Urinary Tract Urothelial Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de tratamento. EAU
- EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de acompanhamento. EAU
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