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Nefrolitotripsia percutânea

Como é a cirurgia para pedras grandes no rim, por um acesso pequeno.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 07/11/2026
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Desenho de um rim em corte com uma pedra grande e o acesso percutâneo chegando até ela
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Resposta rápida

A nefrolitotripsia percutânea é a cirurgia em que um acesso pequeno, pela lateral ou pelas costas, chega ao rim para quebrar e retirar a pedra, ou cálculo. Ela é a primeira opção para pedras do rim acima de 2 cm.1 Na minha prática, opero sempre com o paciente de barriga para cima, sem nefrostomia sempre que possível, e a internação é de 24 horas.

Como é feita

  1. PlanejamentoA tomografia mostra a pedra, o interior do rim e os órgãos em volta, o que dá segurança ao acesso.1
  2. PosiçãoNa minha prática, o paciente fica sempre de barriga para cima, em geral na posição de Barts flank-free.
  3. PunçãoUma agulha entra pela pele e chega a um cálice do rim, guiada por radioscopia, por ultrassom ou pelos dois.1
  4. DilataçãoO trajeto é alargado e uma bainha fica no lugar, formando um túnel até o rim.1
  5. Quebra e retiradaO nefroscópio entra pelo túnel. A pedra é quebrada com energia ultrassônica, pneumática ou laser, e os fragmentos são retirados.1
  6. FinalSempre que possível, termino sem nefrostomia, só com o cateter duplo J. A internação é de 24 horas.
Animação esquemática da cirurgia percutânea.

Posição do paciente

A cirurgia pode ser feita de barriga para baixo ou para cima. A diretriz europeia considera as duas igualmente seguras, com o mesmo resultado.1 Em uma metanálise de 11.774 pacientes, a posição de barriga para cima teve menos tempo de cirurgia e menos complicações graves.1 Ela também permite usar um ureteroscópio flexível na mesma cirurgia, pela uretra.1

Corte do tronco em duas posições. De barriga para baixo, o acesso chega ao rim por cima, pelas costas. De barriga para cima, o acesso chega ao rim pela lateral, com o paciente apoiado de costas.
As duas posições, em corte. Eu opero de barriga para cima.

Durante a residência, comparamos 393 cirurgias em quatro posições: uma de barriga para baixo e três de barriga para cima. O sucesso e as complicações graves foram parecidos, e a posição de barriga para cima completa teve o menor tempo de cirurgia.3 Hoje, opero sempre de barriga para cima, em geral na posição de Barts flank-free.

Instrumentos maiores e menores

Os acessos padrão têm de 24 a 30 Fr, e os menores entraram para crianças e depois para adultos.1 Nas metanálises, a mini-percutânea, de 12 a 22 Fr, retira a pedra de forma parecida com a padrão, com menos sangramento e menos transfusão. A qualidade dessas evidências é limitada.1

Em pedras grandes e complexas, um nefroscópio flexível, ou um ureteroscópio pela uretra na mesma cirurgia, pode ajudar a alcançar o que está fora do alcance do aparelho rígido.1

Sem nefrostomia

A nefrostomia é um tubo que sai pela pele, usado depois da cirurgia em muitos casos. Operar sem ele, com o cateter duplo J por dentro, é chamado de cirurgia tubeless. Ela se associa a menos dor e internação mais curta, com evidência de certeza baixa.1 A diretriz europeia a recomenda nos casos sem complicação.1

Sempre que possível, faço assim. A decisão final vem no fim da cirurgia, porque depende de sangramento, fragmentos, previsão de segundo tempo, obstrução do ureter e infecção.1

Riscos

Uma revisão com quase 12.000 pacientes reuniu as complicações da cirurgia.1

ComplicaçãoFrequência
Febre10,8%
Transfusão7%
Complicação no tórax1,5%
Sepsis0,5%
Lesão de outro órgão0,4%
Embolização por sangramento0,4%
Morte0,05%

Infecção da urina sem tratamento, tumor no caminho do acesso, suspeita de tumor maligno no rim e gravidez contraindicam a cirurgia, e a conduta com remédios que afinam o sangue é planejada antes.1 Mais de um acesso pode ser preciso em pedras complexas, com mais risco de complicações.1

Minha pesquisa em cirurgia percutânea

Durante a residência, fui o primeiro autor do estudo que reuniu a experiência do serviço: 1.066 cirurgias percutâneas em 891 pacientes, de 2011 a 2016. Complicações ocorreram em 14,9% dos casos, e a tomografia do dia seguinte mostrou que a chance de ficar sem fragmentos caiu de 87,9% nos casos mais simples para 24,3% nos mais complexos.2 Esse número ajuda a conversar antes da cirurgia sobre a possibilidade de mais de um procedimento.

Como eu conduzo

Na minha prática, estudo a tomografia antes de definir o acesso. O paciente fica sempre de barriga para cima, em geral na posição de Barts flank-free. Sempre que possível, opero sem nefrostomia, e o cateter duplo J fica por dentro. A internação é de 24 horas. Antes da cirurgia, conversamos sobre a chance de precisar de um segundo procedimento, que depende de quão complexa é a pedra.

Quando procurar o urologista

  • Se tiver febre ou calafrios depois da cirurgia
  • Se a urina ficar com muito sangue ou com coágulos
  • Se a dor forte não melhorar com o remédio
  • Se houver falta de ar
  • Se um exame mostrar uma pedra grande no rim, mesmo sem dor

Perguntas frequentes

Quando a cirurgia percutânea é indicada?

É a primeira opção para pedras do rim acima de 2 cm.1 Também pode entrar em pedras menores no polo inferior do rim e em casos selecionados de pedras grandes e impactadas no ureter alto.1

A cirurgia é feita de barriga para baixo?

Pode ser feita de barriga para baixo ou para cima, com resultados equivalentes.1 Eu opero sempre de barriga para cima, em geral na posição de Barts flank-free.

Vou sair com um dreno nas costas?

Sempre que possível, não. Na minha prática, opero sem nefrostomia, deixando só o cateter duplo J. A diretriz europeia recomenda essa forma nos casos sem complicação.1 Sangramento, fragmentos ou previsão de segundo tempo podem mudar isso.1

Quanto tempo fico internado?

Na minha prática, 24 horas.

Quais são os riscos?

Em uma revisão com quase 12.000 pacientes, houve febre em 10,8%, transfusão em 7%, complicação no tórax em 1,5%, sepsis em 0,5%, lesão de outro órgão em 0,4% e morte em 0,05%.1

Uma cirurgia só resolve?

Muitas vezes, mas nem sempre. No estudo que reuniu 1.066 cirurgias do serviço onde fiz residência, a chance de ficar sem fragmentos caiu de 87,9% nos casos mais simples para 24,3% nos mais complexos.2

Referências

  1. EAU Guidelines on Urolithiasis. European Association of Urology; 2026. Capítulo de diretrizes. EAU
  2. de Souza Melo PA, Vicentini FC, Beraldi AA, et al. Outcomes of more than 1 000 percutaneous nephrolithotomies and validation of Guy's stone score. BJU Int. 2018;121(4):640-646. PubMed
  3. Melo PAS, Vicentini FC, Perrella R, et al. Comparative study of percutaneous nephrolithotomy performed in the traditional prone position and in three different supine positions. Int Braz J Urol. 2019;45(1):108-117. PubMed

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