Resposta rápida
A ureteroscopia flexível é uma cirurgia sem cortes. Um aparelho fino entra pela uretra, sobe pelo ureter e chega à pedra, ou cálculo, que é quebrada com laser.1 Ela serve para pedras do ureter e do rim.1 Na minha prática, é feita com anestesia geral, a internação fica abaixo de 12 horas e, em geral, deixo um cateter duplo J por 5 dias.
Como é feita
- AnestesiaNa minha prática, a cirurgia é feita com anestesia geral.
- EntradaO aparelho entra pela uretra e passa pela bexiga, sem corte na pele. Um fio-guia marca o caminho e dá segurança.1
- SubidaO ureteroscópio sobe pelo ureter até a pedra. A ponta flexível dobra e alcança os cálices do rim. Muitas vezes uma bainha fina ajuda a entrar e sair e mantém a pressão baixa dentro do rim.1
- LaserUma fibra passa pelo aparelho e o laser quebra a pedra em fragmentos ou em pó.1
- RetiradaOs fragmentos maiores saem com uma cesta de nitinol ou com pinça, sempre sob visão.1
- FinalNa minha prática, em geral deixo um cateter duplo J, e a internação fica abaixo de 12 horas.
O laser e a radioscopia
A diretriz europeia recomenda o laser de hólmio ou o de túlio para a ureteroscopia flexível.1 Ele converte energia em calor. Por isso, a cirurgia precisa de irrigação contínua e de controle da potência e do tempo de disparo.1
A radioscopia precisa estar disponível na sala.1 Com ela, a equipe acompanha o caminho do aparelho, e o contraste desenha o interior do rim.

Para quem é indicada
- Pedras no ureter. A ureteroscopia tem mais chance de resolver em um só procedimento do que as ondas de choque.1
- Pedras no rim, inclusive no polo inferior.1
- Obesidade grave, em que ela é a primeira opção.1
- Quem usa remédios que afinam o sangue e não pode parar, com avaliação caso a caso.1
- Pedras acima de 2 cm, quando a percutânea não é opção, com mais chance de precisar de novo procedimento.1
Em pedras do rim acima de 2 cm, uma revisão mostrou 91% sem pedra, com média de 1,45 procedimento por paciente.1 A anatomia do polo inferior pode dificultar o acesso.1
O cateter duplo J depois da cirurgia
Na minha prática, em geral deixo o duplo J: 5 dias quando a cirurgia vai bem, e mais tempo se necessário. Ele pesa ainda mais quando há lesão do ureter, fragmentos, sangramento, perfuração ou infecção.1 Se a passagem pelo ureter não for possível na primeira tentativa, colocar o cateter e operar de sete a quatorze dias depois é uma alternativa.1 Sobre os incômodos e a retirada, veja a página do cateter duplo J.
Riscos
As complicações ocorrem em 4% a 25% dos casos, e a maioria é leve e não exige novo procedimento.1
| Complicação | Frequência na diretriz europeia |
|---|---|
| Infecção generalizada | Até 5%1 |
| Estreitamento do ureter | 3% a 4,9%1 |
| Lesão grave com ruptura do ureter | 0,04% a 0,9%1 |
Cultura de urina positiva antes da cirurgia, perfurações anteriores, outras doenças e cirurgias longas aumentam o risco. A diretriz orienta manter o tempo abaixo de 90 minutos e tratar a infecção antes.1
Como eu conduzo
Na minha prática, explico o plano antes da cirurgia e o que pode mudar durante ela, como deixar o cateter por mais tempo ou precisar de um segundo tempo em pedras grandes. A alta vem em menos de 12 horas. Depois, falamos sobre a análise da pedra e a prevenção.
Quando procurar o urologista
- Se tiver febre ou calafrios depois da cirurgia
- Se a dor forte não melhorar com o remédio
- Se não conseguir urinar
- Se o sangue na urina ficar intenso ou com coágulos
- Se o prazo combinado para tirar o cateter estiver chegando
Perguntas frequentes
A cirurgia a laser para pedra no rim tem corte?+
Não. O aparelho entra pela uretra, passa pela bexiga e sobe pelo ureter até a pedra.1
Quanto tempo fico internado?+
Na minha prática, a internação fica abaixo de 12 horas.
Precisa de anestesia geral?+
Na minha prática, sim. A diretriz europeia também diz que a maioria das cirurgias é feita com anestesia geral, embora outras anestesias sejam possíveis.1
Vou ficar com duplo J depois da cirurgia?+
Na minha prática, em geral sim. Quando a cirurgia vai bem, ele fica 5 dias, e pode ficar mais tempo se necessário.
Serve para pedras grandes?+
Acima de 2 cm, a percutânea é a primeira opção. A ureteroscopia entra quando a percutânea não é possível, com mais chance de precisar de um segundo procedimento.1
Quais são os riscos?+
As complicações ocorrem em 4% a 25% dos casos, e a maioria é leve. Infecção generalizada pode ocorrer em até 5%, estreitamento do ureter em 3% a 4,9% e lesão grave do ureter em 0,04% a 0,9%.1
A pedra some por completo?+
O objetivo é retirar toda a pedra. Em pedras grandes, pode ficar fragmento ou ser preciso outro procedimento: em pedras do rim acima de 2 cm, uma revisão mostrou média de 1,45 procedimento por paciente.1
Referências
- EAU Guidelines on Urolithiasis. European Association of Urology; 2026. Capítulo de diretrizes. EAU
Quer conversar sobre o seu caso?
Na consulta, avalio os exames e as suas prioridades.
Agendar consulta