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Vigilância ativa

Quem pode acompanhar o tumor de perto, com quais exames e quando tratar.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 06/11/2026
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Dr. Petronio Melo sorrindo, de jaleco, com os braços cruzados
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Resposta rápida

Vigilância ativa é acompanhar de perto um câncer de próstata de baixo risco, com exames programados, e tratar com intenção de cura se o tumor mudar. A diretriz europeia a coloca como conduta padrão no baixo risco e em alguns casos de risco intermediário favorável.1 Em dez anos, a sobrevivência específica ao câncer foi de 98,1% a 100%.1 Mais de um terço dos homens é reclassificado no caminho.1

O que é a vigilância ativa

Alguns tumores crescem tão devagar que dificilmente causariam sintomas. A vigilância ativa evita ou adia a cirurgia e a radioterapia nesses casos, e com isso os seus efeitos sobre a urina e a ereção.1

A conduta expectante é outra estratégia, para homens que não se beneficiariam de um tratamento curativo:1

ItemVigilância ativaConduta expectante
IntençãoCurativa, se o tumor mudarPaliativa, se surgirem sintomas
Expectativa de vidaMais de 10 anosMenos de 10 anos
AcompanhamentoAgenda definidaAjustado a cada paciente
ExamesPSA, toque, ressonância e biópsiaSintomas, com ou sem PSA periódico

Quem pode fazer

Os critérios mais usados são ISUP 1, tumor pequeno ou não palpável no toque e PSA abaixo de 10 ng/mL. A densidade do PSA abaixo de 0,15 ng/mL/cc também é usada, e esse limite ainda é discutido.1

A diretriz aceita alguns homens com ISUP 2, como aqueles com menos de 10% de padrão 4, PSA abaixo de 10 ng/mL e pouca doença na biópsia e na imagem. Nesses casos, o risco de progressão pode ser maior.1

A presença de padrão cribriforme ou intraductal na biópsia exclui a vigilância ativa.1 A história na família, isolada, não a contraindica.1

Como é o acompanhamento

  1. No inícioRessonância, se ainda não foi feita. Sem ressonância antes da primeira biópsia, a de confirmação vem entre 6 e 12 meses.1
  2. A cada seis mesesPSA, pelo menos nesse intervalo.1
  3. Todo anoToque retal, pelo menos uma vez por ano.1
  4. Ao longo dos anosRessonância e novas biópsias, sem frequência definida. Um esquema comum é em 1, 4 e 7 anos.1

Uma alteração só no PSA leva a uma nova investigação, com ressonância ou biópsia. Ela sozinha não muda a conduta. Uma piora na ressonância também precisa de biópsia antes de qualquer decisão.1

Calendário de sete anos: PSA a cada seis meses, toque retal todo ano, ressonância e biópsia nos anos 1, 4 e 7.
A agenda em sete anos. A diretriz não define a frequência de ressonância e biópsia, e 1, 4 e 7 anos é um esquema comum.

O que os estudos mostram

EstudoComo foi feitoResultado
ProtecT, 15 anos1.643 homens sorteados para monitoramento, cirurgia ou radioterapiaMorte por câncer de próstata: 3,1%, 2,2% e 2,9%. Metástases: 9,4%, 4,7% e 5,0%
Canadá, 2015993 homens em vigilânciaSobrevivência específica de 94,3% em 15 anos, com 55% ainda sem tratamento
Johns Hopkins, 20151.298 homens de risco favorávelSobrevivência específica de 99,9% em 15 anos, com 57% tratados
PRIAS, 20165.302 homens em 18 países52% tinham saído da vigilância em 5 anos, e 73%, em 10 anos

No ProtecT, mais de um terço dos homens tinha risco intermediário ou alto, e por isso o grupo é diferente do que entra em vigilância hoje. No grupo monitorado, 24,4% estavam vivos e sem nenhum tratamento ao fim do estudo.2

Quando parar a vigilância

A reclassificação na biópsia é o principal motivo para mudar de conduta: um tumor ISUP 3 ou mais, ou a presença de padrão cribriforme ou intraductal.1 Passar para ISUP 2 nem sempre encerra a vigilância, principalmente em uma biópsia dirigida.1

A vontade do paciente também conta. Em um registro com 14.623 homens de vários países, 5% mudaram de conduta por ansiedade.6 Se a idade avança ou surge outra doença, o acompanhamento pode passar para a conduta expectante.1

Como eu conduzo

Na minha prática, eu apresento a vigilância ativa como opção quando o tumor é de baixo risco e explico o que ela exige. Confirmo o risco com a ressonância e com a biópsia, sempre com sedação. Combino com o paciente a agenda de exames e o que nos faria mudar para o tratamento. Se ele preferir tratar, ou se a preocupação pesar no dia a dia, conversamos sobre cirurgia e radioterapia.

Quando procurar o urologista

  • Se você recebeu um laudo de ISUP 1 e quer saber se a vigilância cabe no seu caso
  • Se o seu PSA subiu durante a vigilância
  • Se os exames da agenda atrasaram
  • Se aparecerem sintomas urinários ou sangue na urina

Perguntas frequentes

É seguro não tratar o câncer de próstata agora?

Nos casos bem selecionados, os resultados de longo prazo são favoráveis. Em dez anos, a sobrevivência específica ao câncer foi de 98,1% a 100% nos estudos reunidos pela diretriz europeia.1 O acompanhamento precisa ser mantido.

Vigilância ativa é a mesma coisa que não fazer nada?

Não. Há uma agenda de PSA, toque, ressonância e biópsia, e o tratamento com intenção de cura entra se o tumor mudar.1

Quem pode fazer vigilância ativa?

Homens com câncer de baixo risco e alguns com risco intermediário favorável. A diretriz europeia a coloca como conduta padrão nesses casos.1

De quanto em quanto tempo faço os exames?

Segundo a diretriz europeia, o PSA é feito pelo menos a cada seis meses e o toque, pelo menos uma vez por ano. As novas biópsias não têm frequência definida, e um esquema comum é em 1, 4 e 7 anos.1

Vou precisar me tratar um dia?

Talvez. Em um estudo canadense com 993 homens, 55% seguiam sem tratamento em 15 anos.3 Mais de um terço dos homens é reclassificado ao longo do acompanhamento, e a maioria deles passa a tratar.1

Posso mudar de ideia e me tratar?

Sim. A vontade do paciente é um dos motivos para sair da vigilância.1 Em um registro internacional, 5% dos homens mudaram de conduta por ansiedade.6

Referências

  1. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. European Association of Urology; 2026. EAU
  2. Hamdy FC, Donovan JL, Lane JA, et al. Fifteen-Year Outcomes after Monitoring, Surgery, or Radiotherapy for Prostate Cancer. N Engl J Med. 2023;388(17):1547-1558. PubMed
  3. Klotz L, Vesprini D, Sethukavalan P, et al. Long-term follow-up of a large active surveillance cohort of patients with prostate cancer. J Clin Oncol. 2015;33(3):272-277. PubMed
  4. Tosoian JJ, Mamawala M, Epstein JI, et al. Intermediate and Longer-Term Outcomes From a Prospective Active-Surveillance Program for Favorable-Risk Prostate Cancer. J Clin Oncol. 2015;33(30):3379-3385. PubMed
  5. Bokhorst LP, Valdagni R, Rannikko A, et al. A Decade of Active Surveillance in the PRIAS Study: An Update and Evaluation of the Criteria Used to Recommend a Switch to Active Treatment. Eur Urol. 2016;70(6):954-960. PubMed
  6. Bangma C, Doan P, Zhu L, et al. Has Active Surveillance for Prostate Cancer Become Safer? Lessons Learned from a Global Clinical Registry. Eur Urol Oncol. 2025;8(2):324-337. PubMed

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