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Cirurgia de sling feminino

Como é feita, para quem serve, resultados, riscos e alternativas.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 07/11/2026
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Desenho de frente da uretra feminina apoiada em uma faixa
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Resposta rápida

O sling é uma cirurgia para incontinência urinária de esforço na mulher: uma faixa estreita é colocada embaixo da parte média da uretra e dá apoio ao canal na hora do esforço.1,2 É a cirurgia mais estudada para esse problema, com bom perfil de segurança.2 Como toda cirurgia, tem riscos, e a escolha é feita depois de conversar sobre as outras opções.1

O que é o sling

Na incontinência de esforço, a urina escapa ao tossir, rir ou levantar peso porque a uretra perde o apoio. O sling devolve esse apoio. A faixa fica frouxa em repouso e serve de anteparo quando a pressão aumenta.

Animação esquemática: a faixa dá apoio à uretra na hora do esforço.

Para quem é indicado

O sling é oferecido às mulheres que têm incontinência de esforço e querem tratamento cirúrgico, depois de uma conversa detalhada sobre riscos, benefícios e as outras cirurgias.1 O treino supervisionado do assoalho pélvico, por pelo menos 3 meses, é a primeira opção.1 Veja os exercícios de Kegel.

A diretriz americana separa os casos mais simples dos que pedem mais atenção. Prolapso avançado, urgência predominante, doença neurológica, dificuldade para esvaziar a bexiga, cirurgia anterior para incontinência, complicação com tela, obesidade e idade avançada podem mudar as opções e os resultados.6

Antes de operar, a urodinâmica fica para situações selecionadas, como quando há outros sintomas de bexiga ou o tipo de perda não está claro.1

Como é a cirurgia

A faixa é passada por uma pequena incisão na vagina e fica embaixo da parte média da uretra.2 Há duas vias principais:2

Dois desenhos de frente da pelve. No retropúbico, a faixa sobe por trás do púbis, ao lado da bexiga, até a parte baixa da barriga. No transobturatório, a faixa vai para os lados, passando pelos forames da pelve até a virilha.
Esquema: as duas vias do sling de uretra média.

A diretriz europeia recomenda cistoscopia durante a colocação da faixa sintética, para conferir que a bexiga não foi perfurada.1 Na minha prática, uso quase sempre a via transobturatória, conhecida como TVT-O, com raquianestesia ou anestesia geral. A internação é de cerca de 12 horas, sem sonda.

Existe ainda o sling de incisão única. Em curto prazo, ele parece equivalente ao convencional, mas os resultados de longo prazo seguem incertos.1

Recuperação

Na minha prática, a volta ao trabalho é depois de 2 semanas. Exercício e relação sexual ficam para depois de 4 a 6 semanas.

Resultados

EstudoQuem foi estudadoResultado
Richter, 2010597 mulheres em estudo randomizadoSucesso objetivo em 12 meses de 80,8% na via retropúbica e de 77,7% na transobturatória. Sucesso relatado pela paciente de 62,2% e 55,8%
Ford, 2017 (Cochrane)81 estudos, 12.113 mulheresCura relatada em curto prazo de 71% a 97% na via retropúbica e de 62% a 98% na transobturatória. A longo prazo, de 51% a 88% e de 43% a 92%
Nilsson, 2013Seguimento de 17 anos, com 78% das mulheres que podiam ser avaliadasMais de 90% continentes no exame, e 87% curadas ou muito melhores pelo próprio relato

Fontes da tabela: estudos citados.2,3,4 Os números variam porque cada estudo define sucesso de um jeito. Nenhum deles é promessa de resultado.

Retropúbico ou transobturatório

O que compararRetropúbicoTransobturatório
Perfuração da bexiga4,5%0,6%
Dor na virilha1,3%6,4%
Dor acima do púbis2,9%0,8%
Exposição da faixa na vagina21 em 1.00024 em 1.000

Fonte da tabela: revisão da Cochrane.2 Depois da via retropúbica, a dificuldade para urinar também é mais frequente.2 Em compensação, a nova cirurgia para incontinência a longo prazo foi mais provável depois da via transobturatória, com evidência de baixa qualidade, e a diretriz europeia informa resultado de longo prazo melhor na via retropúbica.1,2

Riscos e a discussão sobre a tela

A faixa sintética fica no corpo de forma permanente.5 A diretriz europeia pede que as mulheres sejam informadas sobre as complicações e sobre todas as alternativas, em razão da discussão pública sobre as telas cirúrgicas.1 Entre as complicações descritas estão dor persistente, lesão de nervos, problemas sexuais, exposição da tela na vagina e, às vezes, lesão de órgãos vizinhos.5

Se surgir dificuldade para urinar depois da cirurgia, a faixa pode precisar de revisão.1

Outras cirurgias

  • Sling com tecido da própria paciente. A faixa é feita com um tecido retirado da parede da barriga.5
  • Colpossuspensão. Pontos elevam o colo da bexiga, em cirurgia aberta ou por laparoscopia.1,5
  • Agentes injetados na uretra. Substâncias aplicadas na parede da uretra ajudam a fechá-la.1,5

Em estudos com 5 anos de acompanhamento, a proporção de mulheres que não precisaram de novo tratamento foi de 99% no sling retropúbico, 97% no transobturatório, 96% no sling com tecido próprio e 87% na colpossuspensão de Burch.1

Quando procurar o urologista

  • Se a perda de urina ao esforço atrapalhar a rotina
  • Se o treino do assoalho pélvico não resolveu
  • Se você já fez cirurgia para incontinência e a perda voltou
  • Se tiver dúvidas sobre tela e quiser conhecer as opções

Perguntas frequentes

O que é a cirurgia de sling?

É a colocação de uma faixa estreita embaixo da parte média da uretra, para dar apoio ao canal na hora do esforço. Ela trata a incontinência urinária de esforço na mulher.1,2

Para quem o sling é indicado?

Para mulheres com incontinência de esforço que querem tratamento cirúrgico, depois de conversar sobre riscos, benefícios e as outras opções.1 O treino do assoalho pélvico, por pelo menos 3 meses, costuma vir antes.1

Como é feita a cirurgia de sling?

A faixa é passada por uma pequena incisão na vagina e sai pela parte baixa da barriga, na via retropúbica, ou pela virilha, na via transobturatória.2 A diretriz europeia recomenda cistoscopia para conferir a bexiga durante a colocação do sling sintético.1

A cirurgia de sling funciona?

Em um estudo com 597 mulheres, o sucesso objetivo em 12 meses foi de 80,8% na via retropúbica e de 77,7% na transobturatória.3 Em um seguimento de 17 anos, mais de 90% das mulheres avaliadas estavam continentes no exame.4

Qual a diferença entre sling retropúbico e transobturatório?

As taxas de cura em curto prazo são parecidas.2 A via transobturatória tem menos perfuração de bexiga e menos dificuldade para urinar, porém mais dor na virilha.2 A diretriz europeia informa que o resultado a longo prazo é melhor na via retropúbica.1

Quais são os riscos do sling?

Perfuração da bexiga, dificuldade para urinar, dor na virilha ou acima do púbis e exposição da faixa na vagina estão entre os riscos.2 Há relatos de complicações graves, como dor persistente.5

Como é a recuperação da cirurgia de sling?

Na minha prática, a internação é de cerca de 12 horas, sem sonda. A volta ao trabalho é depois de 2 semanas, e exercício e relação sexual ficam para depois de 4 a 6 semanas.

A faixa fica para sempre?

Sim. A faixa sintética fica no corpo de forma permanente.5

Existe cirurgia de incontinência sem tela?

Existem. Entre as opções estão o sling feito com tecido da própria paciente, a colpossuspensão e os agentes injetados na uretra.1,5

Referências

  1. European Association of Urology. EAU Guidelines on Non-neurogenic Female LUTS. Capítulo de tratamento. EAU
  2. Ford AA, Rogerson L, Cody JD, Aluko P, Ogah JA. Mid-urethral sling operations for stress urinary incontinence in women. Cochrane Database Syst Rev. 2017;7:CD006375. PubMed
  3. Richter HE, Albo ME, Zyczynski HM, et al. Retropubic versus transobturator midurethral slings for stress incontinence. N Engl J Med. 2010;362(22):2066-76. PubMed
  4. Nilsson CG, Palva K, Aarnio R, Morcos E, Falconer C. Seventeen years follow-up of the tension-free vaginal tape procedure for female stress urinary incontinence. Int Urogynecol J. 2013;24(8):1265-9. PubMed
  5. National Health Service (NHS). Surgery and procedures for urinary incontinence. NHS
  6. Kobashi KC, Vasavada S, Bloschichak A, et al. Updates to Surgical Treatment of Female Stress Urinary Incontinence (SUI): AUA/SUFU Guideline (2023). J Urol. 2023;209(6):1091-1098. AUA/SUFU

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