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Herpes genital

Sintomas, por que o herpes volta, transmissão, exames e tratamento.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 07/11/2026
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Desenho de um nervo que liga a pele a um gânglio, onde o vírus do herpes fica guardado
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Resposta rápida

Herpes genital é uma infecção pelo vírus herpes simples, em geral o tipo 2, mas o tipo 1 também pode causar.1,2 Aparecem bolhas dolorosas que viram pequenas feridas.1 Depois do primeiro episódio, o vírus fica guardado em um gânglio nervoso e pode voltar.1 O antiviral reduz a intensidade e a duração das crises quando começa cedo, e os surtos tendem a ficar mais fracos e mais raros com o tempo.1

Sintomas do primeiro episódio

Muitas pessoas têm o vírus e nunca terão sintomas: a proporção de infecções com sintomas é estimada entre 13% e 37%.1 Quando o quadro aparece, os sintomas surgem em média 6 dias depois do contato.1

Primeiro surgem manchas e bolinhas vermelhas de 1 a 3 milímetros, que logo viram bolhas com líquido claro, muito dolorosas.1 Pode haver febre, mal-estar, dor no corpo e dor ao urinar, às vezes com dificuldade para urinar.1 Metade das pessoas tem ínguas doloridas nos dois lados da virilha.1 O quadro pode durar de 2 a 3 semanas.1 No homem, a infecção da uretra pode dar corrimento.1

Quatro desenhos da pele em corte, em sequência: bolinha avermelhada, bolha com líquido claro, ferida aberta e pele cicatrizada.
Esquema: como a lesão evolui na pele.

Ferida genital tem outras causas, como sífilis, cancroide e trauma, e o exame é o que separa uma da outra.1

Por que o herpes volta

Depois da infecção, o vírus sobe pelos nervos da sensibilidade e fica latente, ou seja, adormecido, dentro de um gânglio.1 Nenhum tratamento impede essa subida.1 Quando reativa, ele desce pelo mesmo nervo, e por isso a lesão tende a voltar no mesmo lugar.1

Animação esquemática: o vírus sobe pelo nervo, adormece no gânglio e pode descer de novo.

Nos primeiros 12 meses, 90% das pessoas com HSV-2 e 60% das pessoas com HSV-1 têm novos episódios.1 As crises são mais leves que a primeira e costumam ser avisadas por coceira leve, queimação e fisgadas nas pernas, no quadril ou na região genital.1 As lesões somem em 7 a 10 dias.1

Linha do tempo com barras que ficam mais baixas e mais espaçadas da esquerda para a direita, mostrando crises que tendem a ficar mais fracas e mais raras.
Esquema: com o tempo, os surtos tendem a ficar mais fracos e mais raros. O ritmo muda de pessoa para pessoa.

Entre os gatilhos estão outras infecções, sol, trauma local, menstruação, estresse físico ou emocional, antibiótico por muito tempo e queda da imunidade.1

Como o herpes passa

O vírus pode ser eliminado na pele e nas mucosas mesmo sem lesão visível, de forma intermitente, sobretudo nos primeiros 12 meses da infecção pelo HSV-2.2 Por isso, muita gente pega o vírus de quem não sabia que tinha.

O preservativo reduz a transmissão, mas não a elimina.2 O HSV-1, mais ligado às lesões da boca, causa cada vez mais herpes genital, e o sexo oral é um dos caminhos.2 As recorrências e a eliminação do vírus sem sintomas são bem mais frequentes com o HSV-2.2

Como é feito o diagnóstico

O exame da lesão orienta a suspeita. O material colhido da ferida pode ser testado para o vírus, o que também diz se é tipo 1 ou tipo 2.2

Os exames de sangue pedem cuidado. A diretriz americana recomenda testes específicos para cada tipo, não recomenda o IgM e alerta que resultados fracos para HSV-2 podem ser falsos.2 O teste para HSV-1 não diferencia a infecção da boca da infecção genital.2 Logo depois do contato, o sangue pode ainda não mostrar a infecção: a orientação é repetir 12 semanas depois do contato presumido.2

Como é o tratamento

O antiviral do protocolo brasileiro é o aciclovir por via oral.1 Ele reduz a intensidade e a duração dos episódios quando começa cedo.1 A dose é definida na consulta.

SituaçãoDuração no protocolo brasileiroObservação
Primeiro episódio7 a 10 diasComeçar o mais cedo possível
Recorrência5 diasDe preferência já nos sintomas de aviso
Supressão, com 6 ou mais episódios por anoAté 6 meses, podendo chegar a 2 anosPede avaliação periódica dos rins e do fígado

Fonte da tabela: protocolo brasileiro.1 A diretriz americana também traz valaciclovir e fanciclovir.2 Eu prefiro o valaciclovir, mas essa é uma opção pessoal.

O tratamento diário reduz as recorrências em 70% a 80% em quem tem crises frequentes.2 Em um estudo com 1.484 casais heterossexuais, o valaciclovir diário reduziu a transmissão do HSV-2 sintomático: 4 casos em 743 pessoas, contra 16 em 741 no placebo.3 Esse resultado vale para quem tinha sintomas, e a proteção não foi completa.2,3

Na lesão, o protocolo orienta compressas com soro fisiológico para limpar e analgésico, se necessário, com retorno em uma semana.1

Quando procurar o urologista

  • Se aparecerem bolhas ou feridas nos genitais
  • Se tiver crises repetidas
  • Se a dor impedir de urinar
  • Se a parceria tiver diagnóstico de herpes e você quiser orientação
  • Se tiver um exame de sangue positivo e dúvida sobre o que ele significa

Perguntas frequentes

Quais são os primeiros sintomas do herpes genital?

Pequenas bolhas muito dolorosas na região genital, que se rompem e viram feridas. No primeiro episódio pode haver febre, mal-estar, dor no corpo, dor ao urinar e ínguas na virilha.1

Herpes genital tem cura?

O tratamento controla os episódios, mas o vírus fica guardado nos gânglios dos nervos. Nenhuma medida impede que isso aconteça.1 Com o tempo, os surtos tendem a ficar mais fracos e mais raros.1

Quanto tempo dura uma crise?

O primeiro episódio pode durar de 2 a 3 semanas. Nas recorrências, as lesões somem em 7 a 10 dias.1

Posso transmitir herpes sem ter ferida?

Pode. O vírus pode ser eliminado de forma intermitente mesmo sem lesão, sobretudo nos primeiros 12 meses depois da infecção pelo HSV-2.2

A camisinha protege contra herpes?

Ela reduz a transmissão, mas não a elimina.2

Herpes na boca pode passar para os genitais?

Pode. O HSV-1, tipo mais ligado às lesões da boca, causa cada vez mais herpes genital.2

O que desencadeia uma nova crise?

Outras infecções, sol, trauma no local, estresse físico ou emocional, antibiótico por muito tempo e queda da imunidade estão entre os gatilhos citados pelo protocolo brasileiro.1

Exame de sangue positivo significa herpes genital?

Não necessariamente. O teste para HSV-1 não diferencia a infecção da boca da infecção genital. A diretriz americana também alerta para resultados falsos, e o IgM não é recomendado.2

Tenho herpes e estou em uma relação. O que muda?

Evite relações durante as lesões e os sintomas de aviso. O antiviral diário diminuiu a transmissão do HSV-2 em casais heterossexuais em que um dos dois tinha sintomas.2,3

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Brasília: Ministério da Saúde; 2022. Ministério da Saúde
  2. Workowski KA, Bachmann LH, Chan PA, et al. Sexually Transmitted Infections Treatment Guidelines, 2021. MMWR Recomm Rep. 2021;70(4):1-187. Capítulo de herpes. CDC
  3. Corey L, Wald A, Patel R, et al. Once-daily valacyclovir to reduce the risk of transmission of genital herpes. N Engl J Med. 2004;350(1):11-20. PubMed

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