Resposta rápida
A nefrectomia parcial retira o tumor com uma margem de tecido sadio e preserva o resto do rim. A diretriz europeia a indica como tratamento de escolha em tumores até 7 cm, sempre que for viável. Pode ser feita por via aberta, laparoscópica ou robótica. Na minha prática, com o robô, a internação fica abaixo de 24 horas, a sonda sai antes da alta e a maioria dos casos não usa dreno.
Por que preservar o rim
Nos tumores T1, os resultados contra o câncer da cirurgia parcial são comparáveis aos da retirada do rim inteiro, e a parcial preserva melhor a função do rim.1 Por isso ela é o tratamento de escolha nesses casos.1
Em tumores T2, acima de 7 cm, ela pode ser considerada em quem tem rim único, tumor nos dois rins ou doença renal crônica, se for viável.1
Como é a cirurgia
- Localizar o tumorOs instrumentos entram por pequenos cortes, e o cirurgião libera o rim e encontra o tumor.
- Controlar o fluxo, quando precisoO fluxo da artéria pode ser pausado por um tempo curto. Em uma revisão, as técnicas com e sem pausa não tiveram diferenças relevantes.3
- Retirar o tumorO tumor sai com uma margem de tecido sadio e vai para a patologia.
- Fechar a áreaO leito do tumor é suturado, e o sangue volta ao rim.
A posição do tumor conta
O tamanho é só uma parte da avaliação. Um tumor que cresce para fora do rim costuma ser mais simples de retirar do que um tumor profundo, perto de vasos e dos cálices, que recolhem a urina.

Aberta, laparoscópica ou robótica
A diretriz europeia diz que a escolha depende da experiência do cirurgião.1 As comparações mostram o seguinte:
- Uma revisão com 34 estudos e 60.808 pacientes achou menos sangramento, menos transfusões, menos complicações e internação mais curta na via robótica. A cirurgia foi mais longa.2
- Um estudo prospectivo em vários centros achou menos complicações nas vias robótica e laparoscópica do que na aberta, sem diferença nas margens.6
- O estudo randomizado OpeRa não mostrou diferença nas complicações em 30 dias, 37% contra 46%, e foi encerrado antes do previsto.1
Riscos
Os riscos incluem sangramento e saída de urina pelo local da sutura. Em uma série, a saída de urina ocorreu em 3% dos casos, com risco maior nos tumores próximos dos cálices.5
A margem positiva, quando há células do tumor na borda da peça, ocorre em cerca de 2% a 8% das cirurgias em tumores T1.1 Nem todo caso tem doença restante: a recorrência no local foi de 16% com margem positiva e de 3% com margem negativa.1
Recuperação
Em uma revisão de 1.890 cirurgias robóticas de rim, não deixar dreno reduziu a internação, sem aumentar complicações, sangramento ou saída de urina.4
Como eu conduzo
Na minha prática, a internação fica abaixo de 24 horas, a sonda é retirada antes da alta e a maioria dos casos não precisa de dreno. Antes da cirurgia, eu olho com o paciente as imagens, a posição do tumor e o que esperar. Se a cirurgia parcial não for o caminho mais seguro, explico o motivo. A decisão é tomada junto com o paciente, e a família participa se ele quiser.
Quando procurar o urologista
- Se um exame mostrar nódulo sólido no rim
- Se já tiver indicação de cirurgia e quiser avaliar a preservação do rim
- Se tiver rim único, doença renal crônica ou tumor nos dois rins
Perguntas frequentes
O que é nefrectomia parcial?+
É a cirurgia que retira o tumor com uma margem de tecido sadio e deixa o resto do rim. A diretriz europeia a indica como tratamento de escolha em tumores T1, até 7 cm, porque preserva melhor a função do rim.1
Quanto tempo fico internado?+
Na minha prática, a internação fica abaixo de 24 horas. A sonda é retirada antes da alta, e a maioria dos casos não precisa de dreno.
A robótica é melhor que a cirurgia aberta?+
A diretriz europeia diz que a cirurgia pode ser aberta, laparoscópica ou robótica, conforme a experiência do cirurgião.1 Em uma revisão, a via robótica teve menos sangramento, menos complicações e internação mais curta, com cirurgia mais longa.2 O estudo randomizado OpeRa não mostrou diferença nas complicações em 30 dias.1
Sempre é preciso pausar o fluxo de sangue do rim?+
Não. Em uma revisão, as técnicas com e sem pausa do fluxo não tiveram diferenças relevantes nos resultados.3 A escolha depende do tumor e da cirurgia.
A cirurgia parcial sempre é possível?+
Nem sempre. O tamanho e a posição do tumor podem exigir a retirada do rim inteiro. Isso é avaliado com as imagens antes da cirurgia.1
Referências
- EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. European Association of Urology; 2026. Capítulo de tratamento. EAU
- Tsai SH, Tseng PT, Sherer BA, et al. Open versus robotic partial nephrectomy: Systematic review and meta-analysis of contemporary studies. Int J Med Robot. 2019;15(1):e1963. PubMed
- Shrivastava N, Sharma G, Ahluwalia P, et al. Off-clamp Versus On-clamp Robot-assisted Partial Nephrectomy: A Systematic Review and Quantitative Synthesis by the European Association of Urology Young Academic Urologists Renal Cancer Study Group. Eur Urol Open Sci. 2023;58:10-18. PubMed
- Territo A, Baboudjian M, Diana P, et al. To drain or not to drain in uro-oncological robotic surgery? A systematic review and meta-analysis. Minerva Urol Nephrol. 2023;75(2):144-153. PubMed
- Zargar H, Khalifeh A, Autorino R, et al. Urine leak in minimally invasive partial nephrectomy: analysis of risk factors and role of intraoperative ureteral catheterization. Int Braz J Urol. 2014;40(6):763-71. PubMed
- Bravi CA, Larcher A, Capitanio U, et al. Perioperative Outcomes of Open, Laparoscopic, and Robotic Partial Nephrectomy: A Prospective Multicenter Observational Study (The RECORd 2 Project). Eur Urol Focus. 2021;7(2):390-396. PubMed
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