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Continência urinária após a cirurgia

Como costuma ser a volta do controle da urina e o que fazer se a perda continuar.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 06/11/2026
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Desenho da bexiga unida à uretra, com o esfíncter
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Resposta rápida

Depois da prostatectomia, a maioria dos homens tem alguma perda de urina no início, e a grande maioria recupera o controle ao longo dos meses.1 Em um estudo randomizado da USP, 95,4% dos operados com o robô estavam continentes em 18 meses.2 Quando a perda continua depois de um ano, ou é grave aos seis meses, o homem pode optar por uma cirurgia.1 As opções mais estudadas são o sling masculino e o esfíncter artificial.8

Por que acontece

A próstata fica logo abaixo da bexiga, em volta da uretra e junto do esfíncter, o músculo que segura a urina. Ao retirar a próstata, parte do mecanismo de controle muda.

A perda típica é a de esforço, ao tossir, espirrar ou fazer exercício.8 Ela aparece quando a sonda é retirada e costuma diminuir aos poucos.

Pelve vista de lado antes e depois da cirurgia. Depois, a próstata não está mais lá, a bexiga fica unida à uretra e o esfíncter segue no mesmo lugar.
Sem a próstata, a bexiga é unida à uretra, logo acima do esfíncter.

O que os números mostram

Os resultados abaixo mostram o controle da urina depois da cirurgia em momentos diferentes.

FonteMomentoResultado
Estudo randomizado da USP, 202418 mesesContinentes: 95,4% com o robô e 78,8% com a cirurgia aberta
Diretriz europeia, 202612 mesesContinentes: 89% a 100% com o robô e 80% a 97% com a cirurgia aberta
Revisão de 51 artigos, 201212 mesesIncontinência com o robô: 16% sem aceitar nenhum absorvente e 9% aceitando o de segurança

O que influencia a recuperação

Parte do risco já existe antes da cirurgia. Pesam a idade, o peso, outras doenças, os sintomas urinários prévios e o volume da próstata. A técnica e a experiência do cirurgião também contam.4

Exercícios do assoalho pélvico

A diretriz americana diz que os exercícios podem acelerar a recuperação.1 As pesquisas ainda não fecharam a questão. Uma revisão da Cochrane, com 50 estudos, considerou incerto o valor das medidas conservadoras e pediu estudos melhores.5

Sobre começar antes da cirurgia, os resultados também variam. Uma revisão de 2025 encontrou menos incontinência no primeiro ano com treino feito antes da operação, com biofeedback.6 Outra, de 2026, viu melhora só nos três primeiros meses.7

Se a perda continuar

A diretriz americana coloca dois momentos para pensar em cirurgia: um ano depois do procedimento, ou seis meses, se a perda for grave.1 O estudo MASTER comparou as duas opções mais usadas em 380 homens:8

ItemSling masculinoEsfíncter artificial
Como éUma tela sintética colocada sob a uretraUm anel inflável em volta da uretra, com uma bomba na bolsa escrotal
No dia a diaO homem não precisa acionar nadaO homem aperta a bomba para urinar
Sintomas em 12 mesesEscore de incontinência caiu de 16,1 para 8,7Escore de incontinência caiu de 16,4 para 7,5
Eventos adversos graves815
Desenho do sling, uma tela que passa sob a uretra, e do esfíncter artificial, com um anel em volta da uretra, uma bomba na bolsa escrotal e um reservatório.
No sling, a tela fica sob a uretra. No esfíncter artificial, o homem aperta a bomba para abrir o anel e urinar.

O sling não foi inferior ao esfíncter na continência em 12 meses. As análises secundárias favoreceram o esfíncter, e a satisfação foi alta nos dois grupos.8 Alguns homens precisaram de uma nova cirurgia.8

Há outras técnicas além dessas duas. A escolha depende da quantidade de urina perdida, de tratamentos anteriores, como a radioterapia, e do que você prefere. Os riscos entram na conversa antes da decisão.1

Como eu conduzo

Na minha prática, eu avalio o risco de perda de urina antes da cirurgia e explico o que esperar. Oriento os exercícios do assoalho pélvico antes e depois da cirurgia e, quando faz sentido, a fisioterapia. Depois da sonda, acompanho a evolução pelo número de absorventes por dia. Se a perda continuar, avalio as opções com o paciente, e em geral aguardo um ano antes de indicar uma cirurgia.

Quando procurar o urologista

  • Se a perda de urina não estiver melhorando com o tempo
  • Se a perda atrapalhar o trabalho, o sono ou a vida social
  • Se a perda continuar um ano depois da cirurgia, mesmo que tenha sido feita em outro serviço
  • Se aparecer dificuldade para urinar, com jato fraco, depois de um período bom

Perguntas frequentes

Quanto tempo dura a perda de urina depois da cirurgia?

Varia de um homem para outro. O início costuma ser logo depois da retirada da sonda, e a grande maioria melhora ao longo dos meses. Em um estudo randomizado da USP, 95,4% dos operados com o robô estavam continentes em 18 meses.2

Os exercícios de Kegel funcionam?

A diretriz americana diz que os exercícios do assoalho pélvico podem acelerar a recuperação.1 Uma revisão da Cochrane encontrou resultados conflitantes e pediu estudos melhores.5 Eles têm baixo custo, e eu oriento o treino antes e depois da cirurgia.

Quando se pensa em cirurgia para a incontinência?

A diretriz americana coloca dois momentos. O homem que continua incontinente um ano depois do procedimento, ou que tem perda grave aos seis meses, pode optar pelo tratamento cirúrgico.1

Sling ou esfíncter artificial, qual é melhor?

Depende do seu caso. No estudo MASTER, com 380 homens, o sling não foi inferior ao esfíncter na continência em 12 meses. As análises secundárias favoreceram o esfíncter, e a satisfação foi maior nesse grupo.8

O esfíncter artificial fica visível?

Não. O anel fica em volta da uretra e a bomba fica dentro da bolsa escrotal, debaixo da pele.8 Para urinar, o homem aperta a bomba.

A cirurgia robótica reduz a incontinência?

Em um estudo randomizado da USP, 95,4% dos operados com o robô e 78,8% dos operados com a cirurgia aberta estavam continentes em 18 meses.2 A diretriz europeia registra 89% a 100% com o robô e 80% a 97% com a cirurgia aberta em 12 meses.3

Referências

  1. Sandhu JS, Breyer B, Comiter C, et al. Incontinence after Prostate Treatment: AUA/SUFU Guideline. J Urol. 2019;202(2):369-378. PubMed
  2. Nahas WC, Rodrigues GJ, Rodrigues Gonçalves FA, et al. Perioperative, Oncological, and Functional Outcomes Between Robot-Assisted Laparoscopic Prostatectomy and Open Radical Retropubic Prostatectomy: A Randomized Clinical Trial. J Urol. 2024;212(1):32-40. PubMed
  3. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. European Association of Urology; 2026. EAU
  4. Ficarra V, Novara G, Rosen RC, et al. Systematic review and meta-analysis of studies reporting urinary continence recovery after robot-assisted radical prostatectomy. Eur Urol. 2012;62(3):405-417. PubMed
  5. Anderson CA, Omar MI, Campbell SE, et al. Conservative management for postprostatectomy urinary incontinence. Cochrane Database Syst Rev. 2015;1(1):CD001843. PubMed
  6. Brea-Gómez B, Pazo-Palacios R, Pérez-Gisbert L, et al. Pelvic Floor Muscle Training with Preoperative Biofeedback in Patients with Postprostatectomy Incontinence: A Systematic Review and Meta-analysis of Randomised Clinical Trials. Eur Urol Focus. 2025;11(5):767-781. PubMed
  7. Terzoni S, Maruccia S, Di Prisco L, et al. Preoperative Pelvic Muscle Training for Continence Recovery After Prostatectomy: Yet Another Meta-Analysis? Neurourol Urodyn. 2026;45(1):127-136. PubMed
  8. Constable L, Abrams P, Cooper D, et al. Synthetic sling or artificial urinary sphincter for men with urodynamic stress incontinence after prostate surgery: the MASTER non-inferiority RCT. Health Technol Assess. 2022;26(36):1-152. PubMed

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