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PSA após a prostatectomia

Qual valor esperar, quando ele preocupa e o que fazer se subir.

Dr. Petronio Melo, urologistaCRM-SP 157.598 · RQE 70.275
Revisado pelo Dr. Petronio Melo em 06/11/2026
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Ilustração em 3D da pelve masculina depois da retirada da próstata: a bexiga fica unida à uretra, à frente do reto
Ilustração: BodyParts3D, © The Database Center for Life Science, CC BY-SA 2.1 Japan.
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Resposta rápida

Depois da prostatectomia radical, o PSA deve ficar indetectável em cerca de dois meses. Na maioria dos laudos, isso é um valor abaixo de 0,1 ng/mL.1 Se o exame der 0,1 ng/mL ou mais nas primeiras quatro a oito semanas, falamos em PSA persistente. Se ele voltar a subir mais tarde, falamos em recidiva bioquímica, que tem risco variável e opções de tratamento, entre elas a radioterapia de resgate.2

O que esperar do exame

A próstata é a principal fonte do PSA. Quando ela é retirada, o exame cai e deixa de ser um marcador da glândula. Passa a mostrar se ainda há células do tumor produzindo PSA em algum lugar do corpo.

Por isso, depois da cirurgia, um número que seria baixo em um homem com próstata merece atenção.

Como ler o resultado

Gráfico do PSA depois da cirurgia, com três caminhos: cai até ficar indetectável, fica em 0,1 ng/mL ou mais, ou sobe depois de ter ficado indetectável.
Os três caminhos do PSA depois da cirurgia. O desenho não tem escala. O PET-PSMA entra quando o resultado pode mudar a decisão.
ResultadoO que significaPróximo passo
Indetectável cerca de dois meses depois da cirurgiaÉ o esperado1Manter o PSA periódico
0,1 ng/mL ou mais, de quatro a oito semanas depois da cirurgiaPSA persistente, visto em 5% a 20% dos casos2Avaliação individual: os dados atuais não permitem uma recomendação única2
PSA em alta depois de ter ficado indetectávelRecidiva bioquímica2Confirmar, medir a velocidade da subida e discutir exames e tratamento

Na diretriz europeia, qualquer PSA em alta depois da prostatectomia conta como recidiva bioquímica. O valor que melhor prevê metástases é acima de 0,4 ng/mL e subindo. Mesmo assim, ela orienta não esperar por um número para começar o tratamento.2

De quanto em quanto tempo repetir

A diretriz europeia orienta o PSA a cada seis meses por três anos e, depois disso, uma vez por ano. O grau de evidência dessa rotina é baixo, e o intervalo pode ser ajustado ao seu caso.1

Se o PSA voltar a subir

A subida do PSA, sozinha, não diz onde a doença está. O risco depende principalmente de dois dados:2,5

GrupoCritério da diretriz europeia
Risco baixoTempo de duplicação maior que um ano e ISUP do laudo da cirurgia menor que 4
Risco altoTempo de duplicação de um ano ou menos, ou ISUP 4 ou 5

O PET-PSMA procura onde a doença está. A diretriz sugere o exame com PSA acima de 0,2 ng/mL, quando o resultado pode mudar a decisão. Ele encontrou lesões em 48% dos casos com PSA de 0,2 a 0,5 ng/mL e em mais de 90% com PSA acima de 2 ng/mL.2

Radioterapia de resgate

Para homens com duas subidas seguidas do PSA, a diretriz europeia orienta oferecer o resgate precoce, que dá a possibilidade de cura. Em alguns casos, a terapia hormonal é somada à radioterapia.2

A radioterapia logo depois da cirurgia deixou de ser rotina. No estudo RADICALS-RT, com 1.396 homens, 85% do grupo adjuvante e 88% do grupo observado estavam sem progressão do PSA em cinco anos. A radioterapia imediata trouxe mais problemas urinários, e 33% dos observados tinham precisado de radioterapia até oito anos depois.3

Uma análise de três estudos, com 2.153 homens, também não encontrou vantagem na radioterapia imediata.4 A diretriz europeia reserva essa opção para casos selecionados, com ISUP 4 ou 5 e tumor além da próstata, sem gânglios comprometidos.2

Como eu conduzo

Na minha prática, eu explico antes da cirurgia quando será o primeiro PSA e o que cada resultado quer dizer. Quando o valor sobe, repito o exame para confirmar e leio o resultado junto com o laudo da cirurgia e a velocidade da subida. Só depois falamos em PET-PSMA e em tratamento. Uma alteração pequena assusta, e por isso mostro ao paciente a evolução dos exames e o que ela indica.

Quando procurar o urologista

  • Se o PSA não ficar indetectável depois da cirurgia
  • Se o PSA subir, mesmo que o valor pareça baixo
  • Se você perdeu o seguimento e está há mais de um ano sem fazer o exame

Perguntas frequentes

Qual é o PSA normal depois da prostatectomia?

O esperado é um PSA indetectável cerca de dois meses depois da cirurgia. Na maioria dos laudos, isso significa um valor abaixo de 0,1 ng/mL.1

PSA de 0,1 depois da cirurgia é recidiva?

Depende do momento. Nas primeiras quatro a oito semanas, 0,1 ng/mL ou mais é chamado de PSA persistente.2 Mais tarde, o que conta é a tendência. Um PSA que sobe em exames seguidos é recidiva bioquímica.2

Se o PSA subiu, tenho metástase?

Não necessariamente. A recidiva bioquímica tem risco diferente de um homem para outro. O risco depende da velocidade da subida e do ISUP do laudo da cirurgia.2,5

De quanto em quanto tempo devo repetir o PSA?

A diretriz europeia orienta o exame a cada seis meses por três anos e depois uma vez por ano. O seguimento pode parar quando a expectativa de vida é menor que dez anos.1

Vou precisar de radioterapia logo depois da cirurgia?

A maioria dos homens com PSA indetectável não precisa.2 Em um estudo com 1.396 homens, observar e tratar só se o PSA subisse teve resultado semelhante ao da radioterapia imediata, com menos problemas urinários.3

A recidiva bioquímica tem cura?

Segundo a diretriz europeia, a radioterapia de resgate feita cedo dá a possibilidade de cura.2 O resultado varia de caso a caso, e por isso o acompanhamento precisa ser mantido.

Referências

  1. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. European Association of Urology; 2026. Capítulo de seguimento. EAU
  2. EAU-EANM-ESTRO-ESUR-ISUP-SIOG Guidelines on Prostate Cancer. European Association of Urology; 2026. Capítulo de tratamento. EAU
  3. Parker CC, Clarke NW, Cook AD, et al. Timing of radiotherapy after radical prostatectomy (RADICALS-RT): a randomised, controlled phase 3 trial. Lancet. 2020;396(10260):1413-1421. PubMed
  4. Vale CL, Fisher D, Kneebone A, et al. Adjuvant or early salvage radiotherapy for the treatment of localised and locally advanced prostate cancer: a prospectively planned systematic review and meta-analysis of aggregate data. Lancet. 2020;396(10260):1422-1431. PubMed
  5. Van den Broeck T, van den Bergh RCN, Arfi N, et al. Prognostic Value of Biochemical Recurrence Following Treatment with Curative Intent for Prostate Cancer: A Systematic Review. Eur Urol. 2019;75(6):967-987. PubMed

Ilustrações em 3D: BodyParts3D, © The Database Center for Life Science, licensed under CC Attribution-Share Alike 2.1 Japan.

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