Resposta rápida
A cistectomia radical retira a bexiga e os gânglios da pelve. Ela é o tratamento padrão do câncer de bexiga que invade o músculo. No homem, a próstata sai junto. Depois, o cirurgião reconstrói a saída da urina, com o conduto ileal (Bricker) ou com uma neobexiga. Na minha prática, faço Bricker na maioria das vezes, e a escolha é feita caso a caso com o paciente. A internação é de 1 semana em média.
Quando é indicada
A cistectomia radical com retirada dos gânglios é o tratamento padrão do câncer que invade o músculo, muitas vezes depois de quimioterapia, com ou sem imunoterapia, quando o paciente pode recebê-la.1 Ela também pode ser indicada em tumores sem invasão do músculo que têm risco muito alto ou que não respondem ao BCG.9
A diretriz pede que o paciente conheça os benefícios e os riscos de todas as alternativas antes da decisão.1
Como é a cirurgia
Na mulher, a cirurgia clássica também retira a uretra, o útero e a parte da vagina próxima da bexiga. Em casos selecionados, é possível preservar órgãos da pelve.1
Bricker ou neobexiga

No conduto ileal, um pedaço do intestino leva a urina dos ureteres até uma abertura na pele, o estoma. A urina vai para uma bolsa.
Na neobexiga, o intestino vira um reservatório ligado à uretra. Ela é usada em 10% a 20% dos pacientes, nos registros citados pela diretriz, e o esvaziamento exige esforço abdominal.1 Em homens, a continência durante o dia chegou a 92%, e à noite, a 51%.7 Em mulheres, cerca de dois terços precisam passar uma sonda para esvaziar.7
Não há estudo randomizado que compare as duas, e as revisões não mostram uma forma superior em qualidade de vida.1,5,6 A escolha considera doenças associadas, função do coração, dos pulmões e da memória, apoio em casa e a preferência do paciente.1
Robótica ou aberta
No estudo RAZOR, a sobrevida sem progressão em dois anos foi de 72,3% com o robô e de 71,6% na cirurgia aberta. Os eventos adversos foram de 67% e 69%.2 No estudo iROC, os pacientes operados com o robô passaram 82 dias vivos e fora do hospital nos 90 dias depois da cirurgia, contra 80 na via aberta. Trombose e complicações da ferida foram menos frequentes com o robô.3 Uma revisão de estudos randomizados achou tempo até a recidiva e complicações graves semelhantes, com evidência de baixa certeza.8
A diretriz europeia considera que a experiência do cirurgião e o volume do serviço são os fatores principais, mais do que a técnica.1
Riscos
É uma cirurgia grande. Em uma série de 1.142 pacientes, 64% tiveram alguma complicação em 90 dias, e 13% tiveram complicações de grau 3 a 5. A mortalidade em 30 dias foi de 1,5%.4 Readmissão em 30 dias acontece em cerca de 25%.1
Como eu conduzo
Na minha prática, faço conduto ileal (Bricker) na maioria das vezes, mas a escolha é feita caso a caso com o paciente. A internação é de 1 semana em média. Antes da cirurgia, explico as opções de reconstrução e o que muda no dia a dia com cada uma. A decisão é tomada junto com o paciente, e a família participa se ele quiser.
Quando procurar o urologista
- Se a RTU mostrar câncer que invade o músculo
- Se o tumor voltar apesar do tratamento na bexiga
- Se quiser discutir as formas de reconstrução antes da cirurgia
Perguntas frequentes
O que é cistectomia?+
É a cirurgia que retira a bexiga. No câncer que invade o músculo, a cistectomia radical é o tratamento padrão e inclui a retirada dos gânglios da pelve.1
Para onde vai a urina depois da cirurgia?+
Depende da reconstrução. No conduto ileal, ou Bricker, a urina sai por uma abertura na pele e vai para uma bolsa. Na neobexiga, um reservatório feito com intestino é ligado à uretra.1
Qual é melhor, Bricker ou neobexiga?+
Nenhum estudo randomizado comparou as duas. As revisões não mostram uma forma superior em qualidade de vida.5,6 A escolha considera doenças associadas, condições do paciente e a preferência dele.1
Quanto tempo fico internado?+
Na minha prática, em média 1 semana.
A cirurgia robótica é melhor que a aberta?+
Nos estudos randomizados, as complicações em 90 dias, as margens, a qualidade de vida e a sobrevida foram semelhantes.1,2 A robótica teve menos sangramento e cirurgia mais longa. A experiência do cirurgião e o volume do serviço pesam mais do que a técnica.1
Referências
- EAU Guidelines on Muscle-invasive and Metastatic Bladder Cancer. European Association of Urology; 2026. Capítulo de tratamento. EAU
- Parekh DJ, Reis IM, Castle EP, et al. Robot-assisted radical cystectomy versus open radical cystectomy in patients with bladder cancer (RAZOR): an open-label, randomised, phase 3, non-inferiority trial. Lancet. 2018;391(10139):2525-2536. PubMed
- Catto JWF, Khetrapal P, Ricciardi F, et al. Effect of Robot-Assisted Radical Cystectomy With Intracorporeal Urinary Diversion vs Open Radical Cystectomy on 90-Day Morbidity and Mortality Among Patients With Bladder Cancer. JAMA. 2022;327(21):2092-2103. PubMed
- Shabsigh A, Korets R, Vora KC, et al. Defining early morbidity of radical cystectomy for patients with bladder cancer using a standardized reporting methodology. Eur Urol. 2009;55(1):164-74. PubMed
- Nuijens ST, Cobussen-Boekhorst H, Heesakkers JPFA, et al. Patient-reported outcomes and health-related quality of life after urinary diversions. Curr Opin Urol. 2021;31(6):574-579. PubMed
- Xing W, Zeng S, Xu Z, et al. Comparison of Health-Related Quality of Life Between Ileal Conduit Diversion and Orthotopic Neobladder in Women: A Meta-Analysis. Front Oncol. 2022;12:862884. PubMed
- EAU Guidelines on Muscle-invasive and Metastatic Bladder Cancer. European Association of Urology; 2026. Capítulo de acompanhamento. EAU
- Rai BP, Bondad J, Vasdev N, et al. Robot-assisted vs open radical cystectomy for bladder cancer in adults. BJU Int. 2020;125(6):765-779. PubMed
- EAU Guidelines on Non-muscle-invasive Bladder Cancer. European Association of Urology; 2026. Capítulo de tratamento. EAU
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